O secretário nacional de portos e transportes aquaviários, Diogo Piloni, disse que o governo busca iniciativas para aumentar a transparência da praticagem brasileira. Ele ressaltou que o grupo de trabalho do programa de incentivo à cabotagem (BR do Mar) acompanha as iniciativas legislativas em tramitação no Congresso e espera as avaliações da auditoria que está sendo feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na atividade. A Corte de Contas iniciou auditoria nos preços praticados pela atividade. Para Piloni, essa discussão da praticagem, inclusive, pode vir a ser resolvida por iniciativa do Congresso.
Ele entende que governo reconhece a importância da praticagem para segurança da navegação, mas está atento ao modelo de monopólio existente, em especial quanto à s regras de rodÃzio, visando dar mais transparência ao serviço. “Como atividade monopolista, importa ter regulação para controle dos preçosâ€, comentou Piloni, que participou na última semana do 6º Encontro ATP (Associação de Terminais Portuários Privados), em BrasÃlia.
A coordenadora-geral e diretora substituta do departamento de navegação e hidrovias da secretaria nacional de portos e transportes aquaviários, Karênina Dian, também declarou na semana passada que o governo decidiu deixar a questão da praticagem para um segundo momento por se tratar de um tema delicado. Durante o 11º Seminário Internacional de Transporte e Desenvolvimento Hidroviário Interior promovido pela Sobena, Karênina explicou que a decisão foi estratégica a fim de esperar as considerações do TCU para poder atuar, a exemplo do que foi feito antes do programa da cabotagem. Ela disse que existem conversas junto aos principais atores setoriais e o Conselho Nacional de Praticagem (Conapra).
Karênina ressaltou que a praticagem é vista como um serviço de qualidade, mas está contemplada no BR do Mar porque é um custo relevante para o setor. Ela observa que existem outras reivindicações no sentido de conseguir junto à Marinha a dispensa de práticos em algumas manobras e a redução da área de praticagem obrigatória, além de iniciativas para alcançar maior transparência dos valores cobrados para governo poder atuar de forma acertada. Armadores da cabotagem e do longo curso frequentemente questionam supostos abusos nessas cobranças.
A Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem afirma que o segmento questiona constantemente o preço da praticagem e tenta fazer acordos com algumas praticagens. A Abac contesta o chamado “rodÃzio único”, pelo qual a empresa de navegação é obrigada a contratar o prático da vez, mesmo que o armador tenha contrato com uma entidade que fornece praticagem. “Não existe regulação econômica da praticagem e hoje, criou-se a figura de um monopólio”, comentou o vice-presidente executivo da Abac, Luis Fernando Resano.
Ele falou que a Abac mantém diálogo sobre o tema como outros grandes tomadores do serviço de praticagem como Petrobras, Centronave (longo curso) e representantes de cruzeiros marÃtimos. Resano ressaltou que um navio de cabotagem chega a um novo porto a cada um ou dois dias e paga pela praticagem em cada um deles. Ele reconheceu que o serviço oferecido é de qualidade, porém o preço está muito acima da realidade brasileira. “A tabela de referência que existe da praticagem é desses contratos das agências marÃtimas, o que fez com que houvesse essa disparada dos preços, muito elevada para cabotagem. Trabalhamos junto ao legislativo para que haja regulação econômica da atividade”, aponta Resano.
Fonte: Portos e Navios
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