
Os protestos aconteceram na RPBC e UTE Euzébio Rocha (UTE-EZR), em Cubatão, e no Terminal Transpetro Alemoa, em Santos (Divulgação Sindipetro – LP)
Petroleiros cruzaram os braços em protesto contra o processo de privatização da Petrobras pelo governo federal na manhã desta sexta-feira (16). Os protestos, na Baixada Santista, foram promovidos pelo Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro-LP).
Segundo informações do Sindipetro-LP, na Baixada Santista, os protestos aconteceram na RPBC e UTE Euzébio Rocha (UTE-EZR), em Cubatão, e no Terminal Transpetro Alemoa, em Santos, onde a mobilização envolveu petroleiros diretos e terceirizados com a presença da Comissão de Desempregados de Cubatão e sindicatos de Metalúrgicos e Construção Civil. No Litoral Norte, paralisações foram realizadas no Tebar, em São Sebastião, e na UTGCA, em Caraguatatuba.
“As mobilizações acontecem nacionalmente e têm como principal pauta o desmonte do Sistema Petrobrás, que vem sendo imposto pelo governo Bolsonaro através da venda das refinarias e outros ativos estratégicos, entrega do pré-sal e retirada de direitos de toda a força de trabalho. Foi agendada para esta sexta-feira a apresentação de ofertas para a compra das quatro refinarias colocadas à venda pelo presidente Roberto Castello Branco. A entrega de metade do parque de refino nacional para o estrangeiro é parte do programa de destruição do patrimônio nacional do atual ministro da Economia, Paulo Guedes”, informa o Sindipetro-LP em nota publicada no site do sindicato.
De acordo com o sindicato, a categoria protesta também contra a terceira proposta de acordo coletivo da estatal. “Além disso, a mobilização foi uma resposta às punições e assédio moral coletivo que a direção da Petrobrás vem praticando em diversas unidades para tentar aprovar na marra a terceira proposta de acordo coletivo”, publicou o sindicato em seu site.
O diretor do Sindipetro-LP, Fábio Mello, gravou um vídeo em que esclarece os motivos dos protestos. “A nossa mobilização borda várias pautas, o nosso acordo coletivo que está em ataque, uma proposta rebaixada da empresa que tira direitos dos trabalhadores. A proposta também retira a única cláusula que defende os trabalhadores terceirizados que é a do Fundo Garantidor, onde nós estamos pleiteando junto à empresa, além de aumentar o percentual do Fundo Garantidor, o salário-caução, que evita que empresassem nenhum lastro financeiro venham participar do Sistema Petrobras. São inúmeras empresas que abandonam os trabalhadores à míngua e a gente quer, no mínimo, o salário-caução. Queremos que a empresa deposite esse salário referente à folha de pagamento, caso ela quebre, que a Petrobras possa garantir os dias parados desse trabalhador. São inúmeras empresas que quebram e os trabalhadores continuam trabalhando para a Petrobras e saem com uma mão na frente e outra atrás”, afirma Mello.
Ele diz ainda que a Petrobras está propondo correção salarial abaixo da inflação. “A empresa está propondo reposição de apenas 70% do INPC no reajuste salarial, é o menor reajuste. A categoria petroleira está pleiteando a manutenção dos nossos direitos, pequenos ajustes nas cláusulas e a manutenção da forma na qual o petroleiro trabalha, no valor da hora extra e contra o banco de horas. A empresa quer estabelecer o banco de horas, quer dizer, vai explorar mais ainda a nossa mão-de-obra. O sindicato é contra a hora extra. Nós queremos que a Petrobras abra concursos porque aqui no terminal estão extinguindo postos de trabalho e querem diminuir o valor da hora extra. Estão colocando em risco as instalações, em vários lugares, nas refinarias e nos terminais”, declara Mello.
35 anos do acidente de Enchova
Os atos também relembraram os 35 anos do acidente da plataforma de Enchova, onde 37 trabalhadores morreram. A entidade sindical acusa que o acidente foi consequência do sucateamento das instalações. Na UTGCA, foi feita a leitura do nome dos 37 trabalhadores mortos e um minuto de silêncio.
Assembleia debaterá campanha salarial no dia 20
Os petroleiros farão assembleia para a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho na sede e subsede do Sindipetro-LP, com primeira chamada às 17h30, no próximo dia 20.