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Região / Cotidiano

Mulheres Solidárias Metropolitanas: “É um projeto social antigo, em que nós entendemos a dor do próximo”

Por Silvia Barreto
Da Revista Mais Santos

Um propósito, uma meta: aliviar a dor das pessoas. Este é um dos pilares que move o projeto “Mulheres Solidárias Metropolitanas”, desenvolvido por voluntários que buscam ajuda para minimizar o sofrimento e a necessidade de mulheres e famílias em vulnerabilidade social.

O objetivo é acolher a mulher em situação de vulnerabilidade social, defender seus direitos na justiça, cuidar da saúde mental e ensinar o empoderamento feminino, para que ela possa empreender e retornar com dignidade ao mercado de trabalho.

“Com o tempo, descobrimos as necessidades dessas pessoas e, também, que a maioria dos chefes de família eram mulheres”, descreve Fabiana Mota, presidente desta organização comunitária, onde são atendidas atualmente 1.200 mulheres – cerca de 2 mil famílias -, sendo que só o núcleo da Terceira Idade chega a 120 idosos com necessidades extremas de ajuda, como remédios, alimentos, fraldas e, carinho.

O projeto é desenvolvido em duas áreas consideradas principais. Uma é a Social, que tem a missão de receber e cadastrar as pessoas que os procuram com todas as informações, sendo responsável pela triagem do primeiro atendimento e encaminhamento para os profissionais que podem lhe ajudar. A outra é a Jurídica, existente para orientar sobre os direitos de cada cidadão e os mecanismos disponíveis para superar os impedimentos existentes diante da burocracia em algumas situações.

Além disso, há o atendimento especializado com uma enfermeira de saúde mental. A atuação é feita de forma intensa, principalmente em relação à depressão dessas famílias e o trabalho de acompanhamento e reforço escolar, coordenado por pedagogas que realizam diversas atividades com os jovens na faixa etária escolar.

Para ser assistido pelo projeto, há um levantamento de dados iniciais. “As famílias vão até lá e fazem um cadastro social. Procuramos saber a renda, quais são as necessidades e quantos membros tem a família, para que possamos entender o que ela está precisando no momento”, explica Fabiana, destacando a importância de as pessoas que fazem este tipo de trabalho entenderem, de fato, o propósito desta ação. “Cheguei à conclusão que as pessoas não entendiam a real necessidade, achando que o trabalho social era chegar com o marmitex no meio da rua e entregar na mão de um morador de rua. Não é isso. Antes de você entregar um alimento, você precisa saber porque aquela pessoa está na rua, o que ela está precisando na realidade, porque ela se jogou nas drogas, enfim, precisa entender o trabalho social e estender a mão para o próximo”, define.

A organização possui programas ativos e permanentes, intitulados como: a fome não espera; futura mamãe; orientação jurídica social; terapia ocupacional em grupo; medicina social; atividades educacionais infantis; oficinas e cursos profissionalizantes com ajuda de parceiros; conquista; #jovemconsciente e o Programa Especial Melhor Idade.

Um dos núcleos considerados primordiais voltado ao combate à fome atuou, no início da pandemia, com a entrega domiciliar de cestas básicas. “Nos primeiros três meses da pandemia, conseguimos atender cerca de 800 famílias. Por sua vez, a assistente social e a enfermeira da saúde mental cuidavam da parte psicológica da família e, assim, conseguimos tirar muitas pessoas do sofrimento e da depressão”, celebra a presidente.

Outra vertente da organização é a iniciativa “Pobreza Menstrual”, com a doação de kits de higiene pessoal. “Criamos esse programa com muito carinho e deu super certo. Ao invés de dar só o absorvente, criamos kits e as pessoas começaram a nos ajudar com sabonete, pasta de dente, absorvente, enfim, o kit básico que acabou ajudando mãe e filha”, destaca.

Além disso, os voluntários investem em atendimento com orientação jurídica social. “Durante a pandemia, muitos perderam o emprego e precisam mexer com benefícios, ou são mães com filhos deficientes que precisam de apoio do Poder Público”, destaca.
Origem

Apesar do nome do projeto ser sugestivo à participação somente de mulheres, os homens também fortalecem a corrente de apoio ao próximo. “É importante para as atendidas enxergarem que existem homens dentro do projeto com o olhar diferenciado e que eles têm sentimento, um olhar delicado e estão ali para ajudar”, ressalta a presidente, informando que todos os voluntários – em sua maioria profissionais liberais – passam por treinamento para atender famílias em vulnerabilidade social.

Questionada sobre a origem da iniciativa, Fabiana se emociona e define de forma sensível: “É você tirar um tempo para cuidar da outra mulher. É uma mulher cuidando de outra mulher. Só sabemos o que elas estão passando porque um dia nós também precisamos de ajuda de alguém. Você precisa saber estender a mão para o próximo”, descreve, relatando a sua própria história.

Atualmente, o projeto não recebe nenhum tipo de ajuda financeira do Poder Público ou empresas privadas, sendo mantido somente por doações. Mas há necessidade de um aporte financeiro para custear gastos com transporte e as despesas da organização. “É um projeto social antigo, em que nós entendemos a dor do próximo”, define a presidente.

Em relação ao Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta terça-feira, 8, Fabiana expõe seu posicionamento em relação a esta data. “É olhar de luta e batalha, incansável. Sabemos que nada mudou, mas nós mulheres não desistimos. Hoje fazemos o que queremos, mas ainda falta”, diz, falando sobre o trabalho de empoderamento feminino que as levam para a troca de experiências.

Os voluntários programam realizar neste mês trabalhos domiciliares de orientações à saúde da mulher, conscientização sobre a campanha “Março Lilás”, referente a prevenção ao câncer de colo de útero.
Todas as ações podem ser acompanhadas pelas redes sociais: @msmsolidarias/Instagram; @msmsolidarias/Facebook ou canal do Youtube: Mulheres Solidárias.

Foto: Divulgação