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Santos / Cotidiano

Lazer e religiosidade marcam Embaré, bairro que completa 146 anos nesta quinta-feira

Da Redação

Fa√ßa chuva ou fa√ßa sol, da janela do apartamento da professora de espanhol, Maria de F√°tima Abreu, 58 anos, o que ela v√™ √© o recorte de algumas das principais refer√™ncias de Santos quando se trata do bairro Embar√©, que completa 146 anos nesta quinta-feira (16), unindo religiosidade, lazer e com√©rcio com a atmosfera residencial. √Č na perspectiva do 1¬ļ andar, onde mora na Avenida Bartolomeu de Gusm√£o, que ela contempla a arquitetura neog√≥tica do importante marco tur√≠stico religioso que √© a Igreja de Santo Ant√īnio do Embar√©; o Centro de Paquera do Embar√© (CPE), com seus quiosques 24h; a conex√£o com a praia, que dispensa coment√°rios.

“A vista da minha janela √© um cart√£o-postal. Me sinto aben√ßoada por morar ao lado de uma igreja t√£o linda, a qual frequento. Afora o CPE, que √© boa op√ß√£o de gastronomia e lazer”, diz ela, que viveu na Venezuela e est√° h√° 23 anos em Santos, onde est√° a maior parte de sua fam√≠lia. Bairro movimentado, bonito, agrad√°vel e com servi√ßos por perto, como farm√°cia, supermercado, feira, entre outros, √© como ela define o local que escolheu para morar h√° 11 anos.

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Outra singularidade que √© poss√≠vel ver de sua janela √© a Est√°tua de Santo Ant√īnio, no canteiro central da avenida da praia. “√Č uma imagem bonita e acolhedora, tem a fonte e, √†s vezes, as pessoas p√Ķem velas. Gosto muito de morar aqui. Posso chegar tarde da noite sozinha tranquilamente, pois √© muito iluminado”.

CARACTER√ćTICAS E ESTRUTURA

Quadril√°tero compreendido entre a praia, os canais 4 e 5 e a Avenida Afonso Pena, o Embar√© ainda conta com os curiosos pr√©dios tortos da orla; a ciclovia; a pista de skate da Pra√ßa Palmares; o com√©rcio da Avenida Pedro Lessa e os in√ļmeros bares e restaurantes de gastronomia diversa, como mexicana, japonesa e nordestina.

A infraestrutura urbana de que disp√Ķe o bairro o caracteriza como um dos mais nobres para se morar em Santos. Conta com uma unidade b√°sica de sa√ļde, na Pra√ßa Cel. Fernando Prestes s/n¬ļ, e quatro escolas municipais – Cidade de Santos, Florestan Fernandes, Ol√≠via Fernandes e Margareth Buchmann.

A cabeleireira Helena da Silva Costa, 71, mora h√° 36 anos no bairro, que tamb√©m √© seu local de trabalho. “Tenho sal√£o h√° cerca de 20 anos, com clientela daqui e de outros bairros. O Embar√© √© √≥timo”.

DA IGREJA PARA A FORMAÇÃO DO BAIRRO

A forma√ß√£o e o desenvolvimento do bairro est√£o ligados √† Igreja Santo Ant√īnio do Embar√©, constru√≠da como capela em 1875 pelo Bar√£o do Embar√©, Ant√īnio Ferreira da Silva. Ap√≥s sua morte, em 1881, ela ficou abandonada, at√© que, 20 anos depois, foi reconstru√≠da. Em 1915 foi ampliada, tornando-se uma igreja. Em 1922, foi entregue aos frades capuchinhos que, em 1930, iniciaram a constru√ß√£o da atual bas√≠lica.

O anivers√°rio √© celebrado em 16 de setembro, mas a ocupa√ß√£o da √°rea √© anterior, desde a √©poca em que os moradores da Regi√£o Central vinham √† praia por orienta√ß√£o m√©dica. Por isso o nome Embar√©, que vem do tupi-guarani Mbar√†a-H√©, que significa “√°guas que curam”.

“At√© a d√©cada de 1930, as pessoas s√≥ tomavam banhos de mar como tratamento m√©dico, com receita e tudo. S√≥ a partir da d√©cada de 40 que o uso da praia se volta para o turismo. O Embar√© vai se desenvolver bastante a partir das d√©cadas de 60 e 70”, explica o historiador Jos√© Dion√≠sio de Almeida, da Funda√ß√£o Arquivo e Mem√≥ria de Santos (Fams), contando que uma das curiosidades do bairro √© o fato de a fam√≠lia do Rei do futebol, Pel√©, ter morado na Av. Almirante Cochrane.

CENTRO DE PAQUERA DO EMBAR√Č

Com quiosques de lanches funcionando 24 horas, o Centro de Paquera do Embar√© (CPE) se consolidou como tradi√ß√£o n√£o s√≥ do bairro, mas de todos os santistas e turistas. O nome surge com taxistas que usavam r√°dios (PX) e tinham como ponto de reuni√Ķes os trailers de lanches. “Eles criaram a Central de PX do Embar√©. Mais tarde, com a populariza√ß√£o do termo e muitos encontros amorosos que geraram relacionamentos, inclusive casamentos, a pr√≥pria popula√ß√£o apelidou o CPE de Centro de Paquera do Embar√©”, afirma o permission√°rio do quiosque Paullu’s Lanche, Paulo Roberto Almeida de S√°, 50, que h√° 38 trabalha no local.

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Apesar de n√£o morar mais no bairro, ele nasceu e foi criado ali, e acompanhou a transforma√ß√£o dos quiosques ao longo do tempo, com instala√ß√Ķes mais modernas e melhor estrutura. “Comecei quando ainda eram trailers iluminados por lampi√£o. Ap√≥s isso, vieram os trailers mais modernos, com caixa d’√°gua e ilumina√ß√£o √† bateria. Depois de alguns anos, vieram os primeiros quiosques e hoje estamos na quarta gera√ß√£o com essa linda estrutura atual”.

Paulo conta que tem clientes que o acompanham desde o primeiro trailer e que hoje trazem filhos e netos para lanchar em seu quiosque. “E todos os finais de semana recebemos turistas que acabam sempre voltando, pois ficam encantados com nossos lanches diferentes, atendimento personalizado e pela nossa linda vista. √Č um bairro muito acolhedor, familiar e com com√©rcio pr√≥ximo aos moradores”.

Fotos: Arquivo/PMS