PUBLICIDADE

Santos / Porto

Porto recebe draga especial para obra nos berços

Os berços do Porto de Paranaguá começaram a ser dragados por um draga mecânica. Esta é a primeira vez que uma “Clamshell†realiza obras nos portos paranaenses. A diferença entre essa e as embarcações comuns na realização desse serviço marítimo, no Estado, é a precisão e a segurança para dragar mais próximo ao costado.

Como explica o oceanógrafo Ricardo Delfim, da Diretoria de Engenharia e Manutenção da empresa Portos do Paraná, a Xin Hai Beng é uma draga estacionária, fixa. Basicamente, ela opera com um guindaste, auxiliada por caçambas e batelões.

“O equipamento é um tipo de draga mecânica que opera com uma caçamba içada por cabos (espécie de guindaste). Tem menos mobilidade, mas draga om maior precisão próximo ao cais e não expõe as estruturas fixas à riscosâ€, explica.

A Clamshell é atendida por batelões (embarcações auxiliares de fundo chato, tipo balsa) para que o material dragado chegue ao despejo.

COMO OPERA – Para a obra, a draga Xin Hai Beng se fixa em um ponto estratégico e avança à posição de operação, por meio de grandes ‘estacas’, tecnicamente chamadas de ‘spuds’. O equipamento traz consigo três tamanhos de caçamba: 09m³, 22m³ e 27m³.

A caçamba designada para determinado local é baixada até fundo, aberta, por gravidade, penetra o leito e, após cheia, o operador a fecha por cabos e transfere o material para dentro do batelão (que fica atracado a contra-bordo, ou seja, bem junto à draga).

Os batelões que atendem a operação são o Hang Bo 2002 e o Hang Bo 2003. Enquanto um batelão está sendo carregado, o outro está despejando o material. Os dois batelões se alternam entre carregamento e transporte ao despejo, para que a Xin Hai Beng não fique ociosa.

O uso de draga mecânica, classificação dada a dragas que não utilizam bombas de sucção, normalmente é aplicado, em portos brasileiros e internacionais, em obras junto à cais, berços e dolfins (estruturas localizadas fora do cais, que servem para amarração e atracação de navios).

APOIO – Durante a obra, uma outra embarcação ainda auxilia nas atividades. O rebocador M. Aveiro é empregado no processo de nivelamento do leito marinho.

“Em baixa velocidade (para evitar agitação do sedimento do leito), o rebocador nivela, ocupando eventuais lacunas de sobredragagem (quando se draga além do previsto) com material que, mesmo após dragagem, remanesça acima da profundidade de trabalho (pequenas cristas)â€, explica Delfim.

Segundo o oceanógrafo, essa técnica visa aproveitar as pequenas lacunas das áreas que eventualmente são dragadas além da cota de trabalho. Com isso são evitadas que viagens extras até a área de despejo sejam feitas.

“Ao evitar que viagens extras sejam feitas até o despejo e ao ocupar áreas que foram “sobredragadas†e não entram no escopo do contrato (mas houve esforço material, de insumos, por queima de combustível por exemplo) diminuem a pegada ambiental da obra e otimizam o tempo e os resultadosâ€, comenta.

CRONOGRAMA – De acordo com o diretor de Operações da Portos do Paraná, Luiz Teixeira da Silva Júnior, esse equipamento era muito aguardado. “É uma draga especial porque ela chega perto da cortina do berço. Essa é a grande vantagem dela sobre a draga convencional que nos atendia até hojeâ€, pontua.

Os serviços dessa etapa da dragagem dos berços do cais comercial do Porto de Paranaguá começarão pelo berço 204, especializado no embarque de granéis sólidos de Exportação (grãos e açúcar). E na sequencia devem ser dragados linearmente os demais berços até o 214; e por fim, o berço interno do píer de inflamáveis 142.

DRAGAGEM – Com a obra de manutenção, a profundidade mantida em todos os berços é de 13,5 metros. Para o berço interno do píer de inflamáveis, são 11 metros.

No total, serão cerca de 150 mil metros cúbicos de sedimentos retirados no cais comercial e parte interna do píer de inflamáveis. A obra mantém o porto operacional, igualando as profundidades dos berços aos acessos aquaviários.

A obra está inserida no programa de manutenção continuada da profundidade dos Portos do Paraná, que prevê as obras para os próximos cinco anos. O investimento público total para o programa será de R$ 403 milhões, ao longo destes cinco anos.

DESCARTE – A área de despejo dos sedimentos dragados fica localizada a mais de 20 quilômetros da Ilha da Galheta e da Ilha do Mel. Em média, devem ser realizadas duas viagens por dia, por equipamento.

O local de descarte, regulamentado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), foi definido após estudos de correntes e outros aspectos climáticos, como a mais indicada para a dispersão do material dragado sem prejuízos ambientais.

 

Fonte: Portos e Navios

Foto: José Fernando Ogura/ANPr