Neste sábado (01), é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS e a Revista Mais Santos abordou o assunto com a chefe da Seção de Prevenção da Prefeitura de Santos, Patrícia Schoenacker.
A AIDS é uma doença do sistema imunológico humano resultante da infecção pelo vírus do HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana – da sigla em inglês).

Foto: Lucas Leite
Dados da Secretaria de Municipal de Saúde de Santos mostram que deve se existir certa preocupação com jovens entre 15 e 19 anos. Em 2016, foram três casos. Em 2017, oito casos. Entre janeiro e julho de 2018, já foram seis casos.
Até julho de 2018, já haviam sido registrados 71 novos casos de HIV na cidade.
Patrícia sugeriu ações que podem fazer esse número reduzir e os cuidados necessários para não adquirir o vírus.
Confira abaixo a entrevista completa:
Santos já foi considerada a capital da Aids. O que tem sido feito para diminuir o número de casos?
Para diminuir o número de casos nós temos feito algumas ações de prevenção com as populações de trabalhadoras do sexo, HSH (homens que fazem sexo com homens), LGBT e jovens. Os jovens, aqui no município, a gente tem o projeto Santos Jovem Doutor, que são algumas escolas que tem alunos selecionados para trabalhar com os jovens mesmo. Então, eles passam informações sobre saúde e prevenção para os pais dos alunos que estudam junto deles.
Para as trabalhadoras do sexo, a gente tem agentes de prevenção que estão nos locais que elas fazem programa, levando informações e preservativos. E a gente tem um grupo também que identifica as pessoas do grupo de HSH e LGBT para também, entregar insumos, orientar para vir fazer testagem e tirar dúvidas.
Quais as principais metas para 2019?
Pretendemos, em 2019, ampliar a testagem, atingir 100% das unidades básicas realizando os testes rápidos, ter um enfoque prioritário nos adolescentes, abrindo um espaço aqui no nosso CTA que vai se chamar CTA Teen. Então, os jovens vão ter esse espaço diferenciado para vir procurar atendimento: orientações, testagem e pegar preservativo. No SAE, que é o atendimento ambulatorial dos pacientes com HIV, a gente quer fazer um atendimento até os 21 anos, porque esse atendimento hoje ele é separado. Ele tem um SAE infantil e um SAE adulto. Quando ele faz 18 anos, ele vai para o SAE adulto e, às vezes, não está preparado para as responsabilidades de tomar um remédio sozinho e o SAE infantil vai acolher essa população até os 21 anos.
Quais são as formas de prevenção à AIDS? Qual delas é a mais eficaz?
O que a gente tem? Vários métodos que nós chamamos de prevenção combinada. Então, um sozinho não tem a mesma eficácia de se combinar métodos. Para isso, nós temos os preservativos, masculino e feminino, a PEP, a PrEP, a testagem. Combinando alguns deles, você tem uma maior eficácia para a proteção contra o HIV.

Foto: Lucas Leite
Como o vírus é transmitido?
O vírus é transmitido através de relação sexual, do sêmen, do leite materno, transmissão vertical e através do sangue. Uma relação sexual sem preservativo vai poder estar transmitindo o vírus.
Quais são os sintomas?
Hoje, o que é preconizado? Identificar as pessoas que tem o HIV e tratar o mais rápido possível. Porque se você tratar, a pessoa não vai adoecer e os sintomas só aparecem quando a pessoa está doente, porque ela vai ter uma infecção ou alguma doença que ele não teria se ele não tivesse o HIV. Então, diagnosticou, tratou. Hoje em dia, é muito difícil a gente ter uma pessoa com os sintomas da AIDS mesmo.
O que a pessoa que suspeita portar o vírus deve fazer? Onde buscar ajuda em Santos?
Se ela está suspeitando que ela contraiu o vírus ou que ela está doente, o mais indicado é procurar o nosso serviço. Então, aqui a gente tem a testagem, convencional e o teste rápido, e ela faz o exame. Se for diagnosticado, a gente encaminha para o tratamento.
As unidades básicas já estão realizando alguns testes, mas por enquanto para gestantes. Então durante o Pré-Natal ela vai lá e faz o teste.
Como quebrar o preconceito que ainda existe com as pessoas que tem AIDS?
Isso é bem difícil. Apesar de nós já termos quase 30 anos de epidemia, ainda existe o preconceito. Mas as pessoas nas décadas de 80 e 90 sofreram muito mais.
É difícil uma pessoa que tem o vírus se abrir para falar porque ela vai ficar com medo de existir o preconceito, mas a melhor forma é falar sobre o HIV, sobre como pega, como não pega, até porque as pessoas ainda têm medo.
O que há de novo nos temas referentes à AIDS?
A PEP (Profilaxia Pós-Exposição), a PrEP (Profilaxia Pré-exposição) e o auto-teste.
Na PEP, a pessoa tem uma relação sexual desprotegida: estourou camisinha ou ela sabe que transou com alguém com HIV. Então, ela vem aqui no nosso serviço em até 72 horas, recebe o atendimento e vai tomar o medicamento por 28 dias para prevenir que ela venha a se infectar pelo vírus. Se essa pessoa for realmente portadora do vírus.
Na PrEP, ela não tem o hábito de usar preservativo e ela sabe que não vai usar mesmo, não tem jeito. Ela vem aqui e procura o nosso serviço. Então, ela vai tomar o medicamento pelo tempo que achar necessário. Se for para o resto da vida dela, ela vai tomar para o resto da vida. É diferente da PEP. É para as pessoas que não usam preservativo, que tem um parceiro soropositivo e tem medo de se infectar. Às vezes, o casal é soro discordante, o marido tem, a mulher não tem, mas ela quer engravidar. Então, ela começa a fazer a PrEP para poder engravidar e não se infectar e, principalmente, porque tem a criança.
Já o auto-teste é uma novidade. A gente já tem os testes de farmácia, que a pessoa poder ir, comprar e fazer a hora que achar que deve fazer. Em São Paulo, já estão distribuindo este teste. A pessoa faz um cadastro, pega o teste e faz da mesma forma, ela mesmo realiza, só que vai ser distribuído esse auto-teste. Santos está entre os municípios que vão receber este auto-teste, a partir de fevereiro, acredito.