A autoproclamada presidente da BolÃvia, Jeanine Ãñez, afirmou domingo (17) que, em breve, anunciará a convocação de novas eleições. A BolÃvia enfrenta quase um mês de manifestações nas ruas. Por causa dos conflitos, 23 pessoas morreram. Em La Paz, em razão do bloqueio de estradas está havendo escassez de alimentos e combustÃveis.
Sem definir data, Ãñez disse que seu governo está ciente da urgência de realização de novas eleições no paÃs. Os presidentes da Câmara e do Senado convocaram sessão para amanhã (19), no intuito de dar inÃcio ao processo eleitoral. Existe a possibilidade de convocação de eleições por decreto, caso as negociações no legislativo não avançem.
“Informamos que em breve daremos notÃcias sobre a convocação de eleições transparentes e a recuperação da credibilidade democrática de nosso paÃs”, afirmou Ãñez.
Há uma tentativa de diálogo no paÃs, inclusive com o apoio da União Europeia, mas ainda sem resultados concretos. Prosseguem os conflitos nas ruas entre os apoiadores de Evo Morales e os opositores do ex-presidente. Enquanto Morales acusa o atual governo de cometer crimes contra a humanidade, Jeanine Ãñez afirma que Morales está incentivando o ódio.
“Se o presidente Morales [quer] voltar [à BolÃvia], que volte, mas ele sabe também que terá que responder à Justiça. Vamos exigir que a justiça boliviana faça seu trabalho, não faça uma perseguição polÃtica, pois isso é o que viemos sofrendo nos últimos 14 anos, a judicialização da polÃtica ou a politização da justiça”, afirmou Ãñez.
Evo Morales afirmou hoje no twitter que o atual governo instalou uma ditadura. “Em vez de pacificação, ordenam difamação e repressão contra os irmãos do campo que denunciam o golpe de estado. Após o massacre de 24 indÃgenas, eles agora preparam um Estado de SÃtio. Seria a confirmação de que, pedindo democracia, eles instalaram uma ditadura”, disse.
Diálogo
O representante da União Europeia na BolÃvia, León de la Torre, afirmou em encontro que teve ontem (17) com Ãñez, que a UE está disposta a apoiar a realização de novas eleições, inclusive com o envio de observadores para garantir a transparência do processo. Além disso, ele alertou que “cada morte dificulta a paz”.
“Cada morte é uma desgraça, complica as coisas, é preciso ser claro. É por isso que fizemos um chamado desde Bruxelas pedindo a todos para que não exerçam a violência, [e sim] o debate democrático, com troca de ideiasâ€, afirmou De la Torre.
Com informações de Agência Brasil
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