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Estado / S√£o Paulo

São Paulo homologa novo currículo do Ensino Médio

Da Agência Brasil

S√£o Paulo √© o primeiro estado brasileiro a construir e homologar o novo curr√≠culo para o Ensino M√©dio, documento determinado pela lei de reforma do ensino m√©dio, sancionada em 2017. O curr√≠culo foi aprovado dia 29 de julho, por vota√ß√£o un√Ęnime, pelo Conselho Estadual da Educa√ß√£o de S√£o Paulo. A homologa√ß√£o foi anunciada nesta segunda-feira (3) pelo governador Jo√£o Doria durante entrevista coletiva.

Segundo Doria, o objetivo √© criar uma escola que dialogue com a realidade atual da juventude. ‚ÄúE que se adapte √†s necessidades dos estudantes e os prepare para viver em sociedade e enfrentar os desafios de um mercado de trabalho din√Ęmico. Essa √© a proposta do novo ensino m√©dio de S√£o Paulo”, disse.

O curr√≠culo est√° alinhado √† Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino M√©dio, homologada pelo atual secret√°rio estadual de Educa√ß√£o, Rossieli Soares, quando ocupou o cargo de ministro da Educa√ß√£o, em dezembro de 2018. Durante a coletiva, Rosseli disse que S√£o Paulo sempre foi refer√™ncia quando se fala em constru√ß√£o curricular e vai servir de grande exemplo. ‚ÄúNosso b√īnus demogr√°fico acaba agora, entre o final do ano de 2022 para 2023. Come√ßamos a virar a chave e teremos menos jovens, por isso, form√°-los cada vez melhor ser√° ainda mais importante para o nosso pa√≠s‚ÄĚ, disse o secret√°rio.

O novo curr√≠culo ter√° 12 op√ß√Ķes de cursos, chamados de itiner√°rios formativos e permitir√° aos alunos escolher as disciplinas com as que mais se identifiquem. A previs√£o √© de que o curr√≠culo seja implementado progressivamente aos alunos da 1¬ļ s√©rie do ensino m√©dio em 2021. Em 2022, para os estudantes da 2¬ļ s√©rie, e para a 3¬™ s√©rie, em 2023.

Rossieli disse que, se n√£o houver uma das op√ß√Ķes perto da casa do estudante, ele poder√° fazer uma parte em outra escola. ‚ÄúEstamos falando de um leque de op√ß√Ķes, onde as escolas poder√£o trabalhar. Estamos trabalhando em modelo em que o jovem poder√° fazer parte em uma escola e parte em outra. Mas a cria√ß√£o dos itiner√°rios √© para atender esse tipo de demanda. Existem itiner√°rios que s√£o previstos como unificados. Isso vai depender do projeto de cada uma das escolas‚ÄĚ, explicou.

O processo de constru√ß√£o do curr√≠culo foi iniciado em 2019 com uma pesquisa entre 140 mil estudantes e 70 mil profissionais da rede. Tamb√©m foi debatido em semin√°rios e por meio de consulta p√ļblica. ‚ÄúSomente no per√≠odo da pandemia tivemos seis semin√°rios, com 70 mil profissionais da rede participando, e uma consulta com 397 mil contribui√ß√Ķes, ou seja, um documento constru√≠do coletivamente com muitas cr√≠ticas e sugest√Ķes‚ÄĚ, enfatizou o secret√°rio.

Novo currículo dá autonomia

O currículo do ensino médio paulista está estruturado em 3.150 horas, distribuídas em um período de três anos. Do montante total da carga horária, 1.800 horas são destinadas à formação básica e o restante, 1.350 horas, é referente aos itinerários formativos. Estes itinerários terão mais do que a carga mínima prevista na legislação, que é de 3 mil horas.

Na formação geral básica, os estudantes terão os componentes curriculares divididos em áreas de conhecimento como linguagens e suas tecnologias (língua portuguesa, artes, educação física e língua estrangeira); matemática; ciências humanas e sociais aplicadas (história, geografia, filosofia e sociologia); e ciências da natureza e suas tecnologias (biologia, química e física).

Na carga horária referente aos itinerários formativos, o estudante precisa escolher uma ou duas áreas de conhecimento da formação geral para aprofundar seus estudos, ou ainda, a formação técnica e profissional para se especializar.

Os componentes do programa Inova Educação também farão parte dos itinerários formativos, com as disciplinas de eletivas (educação financeira, teatro, empreendedorismo), projeto de vida (aulas que ajudam o estudante na gestão do próprio tempo, na organização pessoal, no compromisso com a comunidade) e tecnologia e inovação (mídias digitais, robótica e programação).

‚ÄúInclu√≠mos algo que √© inovador e fundamental para o nosso pa√≠s. Precisamos, desde o ensino m√©dio, incentivar mentes para serem professores para a transforma√ß√£o do pa√≠s. Precisamos atrair talentos, teremos itiner√°rio formativo para incentivar tamb√©m a forma√ß√£o de professores‚ÄĚ, destacou Rosseli.

Formação de professores

Durante a coletiva, foi apresentada a nova coordenadora da Escola de Forma√ß√£o de Professores de S√£o Paulo, Raquel Teixeira, que foi deputada federal e secret√°ria de Educa√ß√£o de Goi√°s. Raquel enfatizou a import√Ęncia dos professores. ‚ÄúSe havia alguma d√ļvida da import√Ęncia do papel dos professores, essa pandemia escancarou a essencialidade desses profissionais. Assumir a escola de forma√ß√£o de professores num momento de profundas mudan√ßas, √© uma tarefa que assumo com enorme entusiasmo.‚ÄĚ

Raquel disse ainda sobre o desafio de treinar os professores para tantas novidades, no meio de uma pandemia: ‚ÄúForma√ß√£o √© a ess√™ncia de estarmos preparados para os novos desafios. A reforma do ensino m√©dio come√ßa no ano que vem, por algumas escolas de forma gradual. Com o retorno presencial, poderemos avaliar o que alunos aprenderam, ou n√£o, com ensino remoto e daremos maior apoio ao professor para o refor√ßo e reconquista das aprendizagens perdidas‚ÄĚ.

A professora, que é formada em letras, mestre pela Universidade de Brasília (UnB) e doutora em linguística pela Universidade da Califórnia, Estados Unidos, assume a Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação Paulo Renato Costa Souza (Efape) de São Paulo.

Foto: Divulgação