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Internacional

Diabetes: tipos, causas, sintomas, tratamento e prevenção

Foto: Pixabay

Nesta quarta-feira (14), é comemorado o Dia Mundial do Diabetes.

O diabetes √© uma doen√ßa cr√īnica n√£o transmiss√≠vel que ocorre quando o p√Ęncreas n√£o produz insulina suficiente ou quando o corpo n√£o consegue mais utilizar de maneira eficaz a insulina que produz. A insulina √© o horm√īnio que regula a glicose no sangue e √© fundamental para manuten√ß√£o do bem-estar do organismo, que precisa da energia dela para funcionar. No entanto, altas taxas de glicose podem levar a complica√ß√Ķes no cora√ß√£o, nas art√©rias, nos olhos, nos rins e nos nervos.¬†Em casos mais graves, o diabetes pode levar √† morte.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, existem atualmente, no Brasil, mais de 13 milh√Ķes de pessoas vivendo com a doen√ßa, o que representa 6,9% da popula√ß√£o nacional. A melhor forma de prevenir √© praticando atividades f√≠sicas regularmente, mantendo uma alimenta√ß√£o saud√°vel e evitando consumo de √°lcool, tabaco e outras drogas. Comportamentos saud√°veis evitam n√£o apenas o diabetes, mas outras doen√ßas cr√īnicas, como o c√Ęncer.

O que s√£o doen√ßas cr√īnicas n√£o transmiss√≠veis?

Doen√ßas cr√īnicas n√£o transmiss√≠veis s√£o aquelas doen√ßas adquiridas, normalmente por h√°bitos e formas de se levar a vida (m√° alimenta√ß√£o, sedentarismo, consumo de √°lcool, drogas, tabaco etc) e que possuem tratamentos a m√©dio e longo prazo, podendo persistir, muitas vezes, por toda a vida. N√£o s√£o transmitidas de pessoa para pessoa e s√£o respons√°veis, tamb√©m, por desencadear outros problemas de sa√ļde na pessoa. As doen√ßas cr√īnicas podem ser silenciosas ou sintom√°ticas, mas todas comprometem, de alguma forma, a qualidade de vida da pessoa, em diferentes graus, conforme cada situa√ß√£o. Em casos mais graves e se n√£o tratadas corretamente, podem levar √† morte.

As principais doen√ßas cr√īnicas n√£o transmiss√≠veis s√£o:

  • Doen√ßas metab√≥licas – diabetes e obesidade.
  • AVC – Acidente Vascular Cerebral.
  • C√Ęncer.
  • Doen√ßas cardiovasculares.
  • Doen√ßas respirat√≥rias cr√īnicas – bronquite, asma, rinite.
  • Hipertens√£o.

Tipos de diabetes

O diabetes pode se apresentar de diversas formas e possui diversos tipos diferentes. Independente do tipo de diabetes, com aparecimento de qualquer sintoma é fundamental que o paciente procure com urgência o atendimento médico especializado para dar início ao tratamento.

Os principais tipos de diabetes s√£o:

  • Diabetes Tipo 1:¬†a causa desse tipo de diabetes ainda √© desconhecida e a melhor forma de preveni-la √© com pr√°ticas de vida saud√°veis (alimenta√ß√£o, atividades f√≠sicas e evitando √°lcool, tabaco e outras drogas). Sabe-se que, via de regra, √© uma doen√ßa cr√īnica n√£o transmiss√≠vel gen√©tica, ou seja, √© heredit√°ria, que concentra entre 5% e 10% do total de diab√©ticos no Brasil. O diabetes tipo 1 aparece geralmente na inf√Ęncia ou adolesc√™ncia, mas pode ser diagnosticado em adultos tamb√©m. Pessoas com parentes pr√≥ximos que t√™m ou tiveram a doen√ßa devem fazer exames regularmente para acompanhar a glicose no sangue.¬†Pessoas com diabetes tipo 1 devem administrar insulina diariamente para regular a quantidade de glicose no sangue.
  • Diabetes Tipo 2:¬†ocorre quando o corpo n√£o aproveita adequadamente a insulina produzida. Esse tipo de diabetes est√° diretamente relacionado ao sobrepeso, sedentarismo e h√°bitos alimentares inadequados. Cerca de 90% dos pacientes diab√©ticos no Brasil t√™m esse tipo.¬†Ele se manifesta mais frequentemente em adultos, mas crian√ßas tamb√©m podem apresentar. Dependendo da gravidade, pode ser controlado com¬†atividade f√≠sica e planejamento alimentar. Em outros casos, exige o uso de insulina e/ou outros medicamentos para controlar a glicose.
  • Diabetes Latente Autoimune do Adulto (LADA):¬†atinge basicamente os adultos e representa um agravamento do diabetes tipo 2. Caracteriza-se, basicamente, no desenvolvimento de um processo autoimune do organismo, que come√ßa a atacar as c√©lulas do p√Ęncreas.
  • Diabetes gestacional:¬†ocorre temporariamente durante a gravidez. As taxas de a√ß√ļcar no sangue ficam acima do normal, mas ainda abaixo do valor para ser classificada como diabetes tipo 2. Toda gestante deve fazer o exame de diabetes, regularmente, durante o pr√©-natal.¬†Mulheres com a doen√ßa t√™m maior risco de complica√ß√Ķes durante a gravidez e o parto. Esse tipo de diabetes¬†afeta entre 2 e 4% de todas as gestantes e implica risco¬†aumentado do desenvolvimento posterior de diabetes para a m√£e e o beb√™.

Pré-Diabetes

A pr√©-diabetes √© caracterizada quando os n√≠veis de glicose no sangue est√£o mais altos do que o normal, mas ainda n√£o est√£o elevados o suficiente para caracterizar um Diabetes Tipo 1 ou Tipo 2. √Č um sinal de alerta do corpo, que normalmente aparece em obesos, hipertensos e/ou pessoas com altera√ß√Ķes nos lip√≠dios.

Esse alerta do corpo √© importante por ser a √ļnica etapa do diabetes que ainda pode ser revertida, prevenindo a evolu√ß√£o da doen√ßa e o aparecimento de complica√ß√Ķes, incluindo o infarto. No entanto, 50% dos pacientes que t√™m o diagn√≥stico de pr√©-diabetes, mesmo com as devidas orienta√ß√Ķes m√©dicas, desenvolvem a doen√ßa.

A mudança de hábito alimentar e a prática de exercícios são os principais fatores de sucesso para o controle.

Fatores de risco para o diabetes

A ausência de hábitos saudáveis são os principais fatores de risco, além da genética. Os principais fatores são:

  • Diagn√≥stico de pr√©-diabetes.
  • Press√£o alta.
  • Colesterol alto ou altera√ß√Ķes na taxa de triglic√©rides no sangue.
  • Sobrepeso, principalmente se a gordura estiver concentrada em volta da cintura.
  • Pais, irm√£os ou parentes pr√≥ximos com diabetes.
  • Doen√ßas renais cr√īnicas.
  • Mulher que deu √† luz crian√ßa com mais de 4kg.
  • Diabetes gestacional.
  • S√≠ndrome de ov√°rios polic√≠sticos.
  • Diagn√≥stico de dist√ļrbios psiqui√°tricos – esquizofrenia,¬†depress√£o, transtorno bipolar.
  • Apneia do sono.
  • Uso de medicamentos da classe dos glicocorticoides.

Sintomas do diabetes

Os principais sintomas do diabetes s√£o:

  • sede, fome e cansa√ßo em excesso;
  • perda de peso r√°pida e involunt√°ria;
  • h√°lito modificado;
  • vis√£o emba√ßada;
  • vontade de urinar v√°rias vezes ao dia.

Sintomas específicos do Diabetes Tipo 1

  • Vontade frequente de urinar.
  • Fome excessiva.
  • Sede excessiva.
  • Emagrecimento al√©m do normal.
  • Fraqueza.
  • Fadiga.
  • Nervosismo.
  • Mudan√ßas de humor.
  • N√°usea e v√īmito.

Sintomas específicos do Diabetes Tipo 2

  • Fome excessiva.
  • Sede excessiva.
  • Frequentes Infec√ß√Ķes na bexiga, rins e pele.
  • Feridas que demoram para cicatriza.
  • Altera√ß√£o visual.
  • Formigamento nos p√©s e m√£os.

Sintomas específicos do Diabetes Gestacional

  • Sede excessiva.
  • Fome excessiva.
  • Vontade constante de urinar.
  • Problemas com a vis√£o.

Diagnóstico do diabetes

O diagn√≥stico do diabetes √© feito por um simples exame de sangue. Com uma gotinha de sangue, retirada de um dos dedos da m√£o, √© poss√≠vel ver se h√° alguma altera√ß√£o na taxa de glicemia. Esse teste inicial leva, no m√°ximo, tr√™s minutos para mostrar o resultado. Se for identificada uma altera√ß√£o consider√°vel, o m√©dico solicitar√° outros exames cl√≠nicos e laboratoriais mais profundos e detalhados, como o teste oral de toler√Ęncia √† glicose (Curva Glic√™mica).

Esse exame é feito em diversas etapas, em que são coletadas amostras de sangue em um tempo determinado, geralmente de 30 em 30 minutos. Nos intervalos, o paciente deve ingerir um xarope de glicose. Os resultados são apresentados em um gráfico e permitem o diagnóstico preciso.

Tratamento da diabetes

Os pacientes que apresentam¬†Diabetes do Tipo 1¬†precisam de inje√ß√Ķes di√°rias de insulina para manterem a glicose no sangue em valores considerados normais. Para essa medi√ß√£o, √© aconselh√°vel ter em casa um aparelho, chamado glicos√≠metro, que ser√° capaz de medir a concentra√ß√£o exata de glicose no sangue durante o dia-a-dia do paciente.

Os médicos recomendam que a insulina deva ser aplicada diretamente na camada de células de gordura, logo abaixo da pele. Os melhores locais para a aplicação de insulina são:

  • barriga;
  • coxa;
  • bra√ßo;
  • regi√£o da cintura;
  • gl√ļteo.

Já para os pacientes que apresentam Diabetes Tipo 2, o tratamento consiste em identificar o grau de necessidade de cada pessoa e indicar, conforme cada caso, os seguintes medicamentos/técnicas:

  • Inibidores da alfaglicosidase: impedem a digest√£o e absor√ß√£o de carboidratos no intestino.
  • Sulfonilureias: estimulam a produ√ß√£o pancre√°tica de insulina pelas c√©lulas.
  • Glinidas: agem tamb√©m estimulando a produ√ß√£o de insulina pelo p√Ęncreas.

O Diabetes Tipo 2 normalmente vem acompanhado de outros problemas de sa√ļde, como obesidade, sobrepeso, sedentarismo, triglicer√≠dios elevados e hipertens√£o. Por isso, √© essencial manter acompanhamento m√©dico para tratar, tamb√©m, dessas outras doen√ßas, que podem aparecer junto com o diabetes.

Para tratar o diabetes, o Sistema √önico de Sa√ļde (SUS) oferece medicamentos de gra√ßa pelo programa Farm√°cia Popular. S√£o seis medicamentos financiados pelo Minist√©rio da Sa√ļde e liberados nas farm√°cias credenciadas. Al√©m disso, os pacientes portadores da doen√ßa s√£o acompanhados pela Aten√ß√£o B√°sica e a obten√ß√£o do medicamento para o tratamento tem sido fundamental para reduzir os desfechos mais graves da doen√ßa.

Desta forma, os doentes t√™m assegurado gratuitamente o tratamento integral no Sistema √önico de Sa√ļde, que fornece √† popula√ß√£o as insulinas humana NPH ‚Äď suspens√£o injet√°vel 1 e insulina humana regular, al√©m de outros tr√™s medicamentos que ajudam a controlar o √≠ndice de glicose no sangue: Glibenclamida, Metformida e Glicazida.

Em março de 2017, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) incorporou ao SUS duas novas tecnologias para o tratamento do diabetes.

  • A caneta para inje√ß√£o de insulina, para¬†proporcionar a melhor comodidade na aplica√ß√£o, facilidade de transporte, armazenamento e manuseio e maior assertividade no ajuste da dosagem.
  • Insulina an√°loga de a√ß√£o¬†r√°pida, que s√£o insulinas semelhantes √†s insulinas humanas, por√©m com pequenas altera√ß√Ķes nas mol√©culas, que foram feitas para modificar a maneira como as insulinas agem¬†no organismo humano, especialmente em rela√ß√£o ao tempo para in√≠cio de a√ß√£o e dura√ß√£o do efeito.

Para os que j√° t√™m diagn√≥stico de diabetes, o Sistema √önico de Sa√ļde (SUS) oferta gratuitamente, j√° na aten√ß√£o b√°sica,¬† aten√ß√£o integral e gratuita, desenvolvendo a√ß√Ķes de preven√ß√£o, detec√ß√£o, controle e tratamento medicamentoso, inclusive com insulinas. Para monitoramento do √≠ndice glic√™mico, tamb√©m est√° dispon√≠vel nas Unidades B√°sicas de Sa√ļde reagentes e seringas.¬†O programa Aqui Tem Farm√°cia Popular, parceria do Minist√©rio da Sa√ļde com mais de 34 mil farm√°cias privadas em todo o pa√≠s, tamb√©m distribui medicamentos gratuitos, entre eles o cloridrato de metformina, glibenclamida e insulinas.

Como aplicar a insulina?

Durante o tratamento de diabetes com insulina, √© necess√°rio checar periodicamente os n√≠veis de glicose no sangue. Essa medida √© fundamental para avaliar o tratamento e verificar se as metas estabelecidas pelo profissional de sa√ļde, conforme cada caso, est√£o sendo alcan√ßadas. O ‚Äėajuste fino‚Äô dessas metas e das doses de insulina e medicamentos leva algum tempo e √© afetado pelo estilo de vida e, eventualmente, por outras doen√ßas. Uma boa not√≠cia √© que os equipamentos mais novos, com agulhas menores, est√£o tornando a aplica√ß√£o de insulina cada vez mais f√°cil.

As canetas podem ser reutilizáveis, em que se compra o refil de 3 mL de insulina para se carregar na caneta. Neste caso é importante observar que as canetas são específicas para cada fabricante de refil. Há também canetas descartáveis, que já vêm carregadas com insulina e ao terminar seu uso são dispensadas e pega-se uma nova caneta, dispensa portanto a troca de refis, tornando o uso ainda mais simples.

As seringas têm, atualmente, agulhas muito menores, até de 6 mm. Elas permitem aplicação com mínima dor. Se você precisa tomar dois tipos de insulina no mesmo horário e elas estão disponíveis em frascos, pode-se misturar os dois tipos e aplicar apenas uma aplicação na mesma seringa. Ao se fazer isso deve-se estar atento à dose de cada componente de insulina, aspirando primeiro a insulina Regular e depois a insulina N, nesta ordem.

Bombas de insulina s√£o um modo seguro e eficiente de fornecer insulina para o corpo. Elas s√£o usadas com mais frequ√™ncia por pessoas que precisam de m√ļltiplas inje√ß√Ķes ao longo do dia. O equipamento inclui um pequeno cateter, que √© inserido sob a pele. A ‚Äėbomba‚Äô propriamente dita √© usada externamente. Ela tem o tamanho dos antigos ‚Äėpagers‚Äô, ou seja, √© menor que um smartphone.¬†Seu m√©dico vai indicar qual a melhor op√ß√£o para voc√™.

Dicas para aplicação de insulina

Se voc√™ usa a caneta, n√£o se esque√ßa de checar o fluxo de insulina antes de aplicar a dose. Ajuste o aparelho para duas unidades e, com a ponta da caneta virada para cima, na vertical, aperte o bot√£o de aplica√ß√£o, repetindo at√© que apare√ßa a insulina. Depois de checar o fluxo, marque a dose a ser aplicada. Insira a agulha na pele em um √Ęngulo de 90¬į (perpendicular). Aperte o bot√£o at√© que voc√™ veja o n√ļmero 0. Conte dez segundos antes de remover a agulha da pele, para garantir que a dose foi totalmente aplicada. Com agulhas maiores, superiores a 8 mm, voc√™ pode precisar levantar a pele delicadamente antes da inje√ß√£o, a chamada ‚Äúprega‚ÄĚ.

√Č muito importante fazer rod√≠zio dos locais do corpo em que voc√™ aplica a insulina, para prevenir n√≥dulos e altera√ß√Ķes locais decorrentes da aplica√ß√£o repetida de insulina, chamadas de lipodistrofias. Evite uma √°rea de cinco cent√≠metros em torno do umbigo e tamb√©m evite aplicar sobre cicatrizes.

Armazenamento da insulina

A insulina que ainda n√£o foi aberta deve ser guardada na geladeira entre 2 e 8¬™C. Depois de aberta, pode ser deixada √† temperatura ambiente (menor do que 30¬įC) por 30 dias, com exce√ß√£o da detemir (Levemir), que pode ficar em temperatura ambiente por at√© 42 dias. √Č importante manter todos os tipos de insulina longe da luz e do calor. Descarte a insulina que ficou exposta a mais de 30¬įC ou congelada. N√£o use medicamentos ap√≥s o fim da data de validade.

Para ajudar a acompanhar a data, o usuário pode anotar no rótulo o dia em que abriu o frasco ou colocar um pedaço de esparadrapo colado com a data em que foi aberta a insulina pela primeira vez. Se você for passar um período extenso ao ar livre, em dias muito frios ou quentes, deve armazenar a insulina em um isopor bolsa térmica, podendo eventualmente conter placas de gelo, desde que este não tenha contato direto com a insulina.

Prevenindo a diabetes

O incentivo para uma alimenta√ß√£o saud√°vel e balanceada e a pr√°tica de atividades f√≠sicas √© prioridade do Governo Federal.¬†O Minist√©rio da Sa√ļde adotou internacionalmente metas para frear o crescimento do excesso de peso e obesidade no pa√≠s. O Pa√≠s assumiu como compromisso deter o crescimento da obesidade na popula√ß√£o adulta at√© 2019, por meio de pol√≠ticas intersetoriais de sa√ļde e seguran√ßa alimentar e nutricional; reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na popula√ß√£o adulta, at√© 2019; e ampliar pelo menos 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortali√ßas regularmente at√© 2019.

Outra a√ß√£o para a promo√ß√£o da alimenta√ß√£o saud√°vel foi a publica√ß√£o do Guia Alimentar para a Popula√ß√£o Brasileira. Reconhecida mundialmente pela abordagem integral da promo√ß√£o √† nutri√ß√£o adequada, a publica√ß√£o orienta a popula√ß√£o com recomenda√ß√Ķes sobre alimenta√ß√£o saud√°vel e para fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimenta√ß√£o. O Governo Federal tamb√©m incentiva a pr√°tica de atividades f√≠sicas por meio do Programa Academia da Sa√ļde, com aproximadamente 4 mil polos habilitados e 2.012 com obras conclu√≠dos.

Manter hábitos saudáveis ajudam a prevenir o diabetes e diversas outras doenças.

  • Comer diariamente verduras, legumes e, pelo menos, tr√™s por√ß√Ķes de frutas.
  • Reduzir o consumo de sal, a√ß√ļcar e gorduras.
  • Parar de fumar.
  • Praticar exerc√≠cios f√≠sicos regularmente, (pelo menos 30 minutos todos os dias).
  • Manter o peso controlado.

Hipoglicemia

A hipoglicemia √© literalmente n√≠vel muito baixo de glicose no sangue e √© comum em pessoas com diabetes.¬†Para evitar a hipoglicemia, al√©m das complica√ß√Ķes do diabetes, o segredo √© manter os n√≠veis de glicose dentro da meta estabelecida pelo profissional da sa√ļde para cada paciente.¬†Essa meta varia de acordo com a idade, condi√ß√Ķes gerais de sa√ļde e outros fatores de risco, al√©m de situa√ß√Ķes como a gravidez.

Durante o tratamento, √© essencial manter h√°bitos saud√°veis e estilo de vida ativo, al√©m de seguir as orienta√ß√Ķes medicamentosas recomendadas pelo profissional de sa√ļde para manter a meta de glicose, evitando a hipoglicemia e a hiperglicemia.

O que pode causar hipoglicemia em pacientes diabéticos

  • Aumentar quantidade de exer√≠cios f√≠sicos sem orienta√ß√£o ou sem ajuste correspondente na alimenta√ß√£o/medica√ß√£o.
  • Pular refei√ß√Ķes e os hor√°rios de refei√ß√Ķes.
  • Comer menos do que o necess√°rio.
  • Exagerar na medica√ß√£o (essa conduta n√£o traz controle melhor do diabetes, pelo contr√°rio).
  • Ingesta√ß√£o de √°lcool.

Em situa√ß√Ķes extremas, a hipoglicemia pode causar desmaios ou crises convulsivas e necessitam de interven√ß√£o m√©dicas imediata. Tenha cuidado com sua sa√ļde e siga √† risca as orienta√Ķes m√©dicas. Diabetes e hipoglicemia severa podem causar acidentes, les√Ķes, levar ao estado de coma e at√© √† morte.

Sintomas da hipoglicemia:

  • Tremedeira.
  • Nervosismo e ansiedade.
  • Suores e calafrios.
  • Irritabilidade e impaci√™ncia.
  • Confus√£o mental e at√© del√≠rio.
  • Taquicardia, cora√ß√£o batendo mais r√°pido que o normal.
  • Tontura ou vertigem.
  • Fome e n√°usea.
  • Sonol√™ncia.
  • Vis√£o emba√ßada.
  • Sensa√ß√£o de formigamento ou dorm√™ncia nos l√°bios e na l√≠ngua.
  • Dor de cabe√ßa.
  • Fraqueza e fadiga.
  • Raiva ou tristeza.
  • Falta de coordena√ß√£o motora.
  • Pesadelos, choro durante o sono.
  • Convuls√Ķes.
  • Inconsci√™ncia.

Hiperglicemia

A hiperglicemia √© exatamente o contr√°rio da hipoglicemia:¬†acontece quando h√° pouca insulina no organismo ou quando o corpo n√£o consegue us√°-la corretamente. No entanto, a melhor forma de se evitar a hiperglicemia tamb√©m √© mantendo os n√≠veis de glicose dentro das metas estabelecidas pelo profissional m√©dico. Essa meta varia de acordo com a idade, condi√ß√Ķes gerais de sa√ļde e outros fatores de risco, al√©m de situa√ß√Ķes como a gravidez.

O que pode causar a hiperglicemia em pacientes diabéticos

  • Dose incorreta de insulina, no caso do Tipo 1.
  • Dificuldade do corpo para utilizar a insulina que est√° sendo produzida (resist√™ncia √† insulina), no caso do Tipo 2.
  • Excesso de alimenta√ß√£o e car√™ncia de exerc√≠cios f√≠sicos.
  • Stress causado por uma doen√ßa, como uma gripe.
  • Outras fontes de estresse (fam√≠lia, escola ou trabalho).
  • O chamado ‚Äėfen√īmeno do alvorecer‚Äô
    Todas as pessoas passam por essa condi√ß√£o, tenham ou n√£o diabetes. √Č uma onda de horm√īnios que o corpo produz entre 4h e 5h da manh√£, todos os dias, que provocam uma rea√ß√£o do f√≠gado, com libera√ß√£o de glicose e prepara√ß√£o do organismo para mais um dia de atividades. O corpo produz menos insulina e mais glucagon (horm√īnio que aumenta a glicose no sangue), mas as pessoas com diabetes n√£o t√™m respostas normais de insulina para regular essa onda e a glicemia de jejum pode subir consideravelmente.
  • Para evitar essa condi√ß√£o, valem as dicas: jantar no in√≠cio da noite, fazer uma caminhada leve ap√≥s o jantar, perguntar ao m√©dico sobre medicamentos espec√≠ficos ou ajuste do tratamento do diabetes, seja insulina ou outros medicamentos.

Sintomas da hiperglicemia

Os principais sintomas da hiperglicemia s√£o:

  • Boca seca.
  • Muita Sede.
  • Muita urina.
  • Muita fome.
  • Cansa√ßo.
  • Dor de cabe√ßa.
  • Enjoo.
  • Sonol√™ncia.
  • Dificuldade para respirar.
  • H√°lito de ma√ß√£ ou acetona.

Tabagismo e diabetes

O tabagismo √© a maior causa de morte evit√°vel do mundo. Parar de furmar √© a medida isolada mais efetiva para reduzir o risco de complica√ß√Ķes do diabetes. Por isso, se voc√™ fuma, pare imediatamente. Pratique h√°bitos saud√°veis, isso ajudar√° a controlar e a prevenir diversas doen√ßas e problemas de sa√ļde, incluindo o diabetes.

Complica√ß√Ķes do Diabetes

O diabetes, quando n√£o tratado corretamente, pode evoluir para formas mais graves e apresentar diversas complica√ß√Ķes, al√©m de outros problemas de sa√ļde, que v√£o comprometer diretamente a qualidade de vida da pessoa. Algumas situa√ß√Ķes s√£o cr√≠ticas e podem levar √† morte. Manter h√°bitos e estilos de vida saud√°veis s√£o a melhor forma de controlar e prevenir a doen√ßa.

Neuropatia Diabética

Voc√™ sabe o que s√£o nervos perif√©ricos? Eles carregam as informa√ß√Ķes que saem do c√©rebro e as que chegam at√© ele, al√©m de sinais da medula espinhal para o resto do corpo. Os danos a esses nervos,¬†condi√ß√£o chamada de neuropatia perif√©rica, fazem com que esse mecanismo n√£o funcione bem. A neuropatia pode afetar um √ļnico nervo, um grupo de nervos ou nervos no corpo inteiro.

A neuropatia costuma vir acompanhada da diminuição da energia, da mobilidade, da satisfação com a vida e do envolvimento com as atividades sociais.

Tanto as altera√ß√Ķes nos vasos sangu√≠neos quanto as altera√ß√Ķes no metabolismo podem causar danos aos nervos perif√©ricos.¬†A glicemia alta reduz a capacidade de eliminar radicais livres e compromete o metabolismo de v√°rias c√©lulas, principalmente as dos neur√īnios.

IMPORTANT√ćSSIMO:¬†O diabetes √© a causa mais comum da neuropatia perif√©rica e merece especial aten√ß√£o porque a neuropatia √© a complica√ß√£o cr√īnica mais comum e mais incapacitante do diabetes. Ela √©¬†respons√°vel por cerca de dois ter√ßos das amputa√ß√Ķes n√£o-traum√°ticas (que n√£o s√£o causadas por acidentes e fatores externos).

Essa complicação pode ser silenciosa e avançar lentamente, confundindo-se com outras doenças. O controle inadequado da glicose, nível elevado de triglicérides, excesso de peso, tabagismo, pressão alta, o tempo em que de convivência com o diabetes e a presença de retinopatia e doença renal são fatores que favorecem a progressão da neuropatia.

Os principais sintomas da neuropatia s√£o:

  • Dor cont√≠nua e constante.
  • Sensa√ß√£o de queimadura e ard√™ncia.
  • Formigamento.
  • Dor espont√Ęnea que surge de repente, sem uma causa aparente.
  • Dor excessiva diante de um est√≠mulo pequeno, por exemplo, uma picada de alfinete.
  • Dor causada por toques que normalmente n√£o seriam dolorosos, como encostar no bra√ßo de algu√©m.
  • Ao mesmo tempo, em uma segunda etapa dessa complica√ß√£o, pode haver redu√ß√£o da sensibilidade protetora. As dores, que antes eram intensas demais¬†mesmo com pouco est√≠mulo, passam a ser menores do que deveriam. Nesses casos h√° o risco, por exemplo, de haver uma queimadura e a pessoa n√£o perceber.
  • √Č comum tamb√©m que o suor diminua e a pele fique mais seca. O diagn√≥stico da neuropatia pode ser feito por exames espec√≠ficos e muito simples nos p√©s.

Diabetes e amputa√ß√Ķes

Muitas pessoas com diabetes t√™m a doen√ßa arterial perif√©rica, que reduz o fluxo de sangue para os p√©s. Al√©m disso, pode haver redu√ß√£o de sensibilidade devido aos danos que a falta de controle da glicose causa aos nervos. Essas duas condi√ß√Ķes fazem com que seja mais f√°cil sofrer com √ļlceras e infec√ß√Ķes, que podem levar √† amputa√ß√£o. No entanto, a maioria das amputa√ß√Ķes s√£o evit√°veis, com cuidados regulares e cal√ßados adequados. Cuidar bem de seus p√©s e visitar o seu m√©dico imediatamente, assim que observar alguma altera√ß√£o, √© muito importante.¬†Pergunte sobre sapatos adequados e considere seriamente um plano estrat√©gico, caso seja fumante:¬†pare de fumar imediatamente!¬†O tabagismo tem s√©rio impacto nos pequenos vasos sangu√≠neos que comp√Ķem o sistema circulat√≥rio, causando ainda mais diminui√ß√£o do fluxo de sangue para os p√©s.

Doença renal

Os rins s√£o uma esp√©cie de filtro, compostos por milh√Ķes de vasinhos sangu√≠neos (capilares), que removem os res√≠duos do sangue. O diabetes pode trazer danos aos rins, afetando sua capacidade de filtragem.¬†O processo de digest√£o dos alimentos gera res√≠duos. Essas subst√Ęncias que o corpo n√£o vai utilizar geralmente t√™m mol√©culas bem pequenas, que passam pelos capilares e v√£o compor a urina. As subst√Ęncias √ļteis, por sua vez, a exemplo das prote√≠nas, t√™m mol√©culas maiores e continuam circulando no sangue.

O problema √© que os altos n√≠veis de a√ß√ļcar fazem com que os rins filtrem muito sangue, sobrecarregando os √≥rg√£os e fazendo com mol√©culas de prote√≠na acabem sendo perdidas na urina.¬†A presen√ßa de pequenas quantidades de prote√≠na na urina √© chamada de microalbumin√ļria. Quando a doen√ßa renal √© diagnosticada precocemente, durante a microalbumin√ļria, diversos tratamentos podem evitar o agravamento.

Quando √© detectada mais tarde, j√° na fase da macroalbumin√ļria, a complica√ß√£o j√° √© chamada de doen√ßa renal terminal. Com o tempo, o estresse da sobrecarga faz com que os rins percam a capacidade de filtragem. Os res√≠duos come√ßam a acumular-se no sangue e, finalmente, os rins falham. Uma pessoa com doen√ßa renal terminal vai¬†precisar de um transplante¬†ou de sess√Ķes regulares de hemodi√°lise.

Pé Diabético

S√£o feridas que podem ocorrer no p√© das pessoas com diabetes e t√™m dif√≠cil cicatriza√ß√£o devido aos n√≠veis elevados de a√ß√ļcar no sangue e/ou circula√ß√£o sangu√≠nea deficiente. √Č uma das complica√ß√Ķes mais comuns do diabetes mal controlado. Aproximadamente um quarto dos pacientes com diabetes desenvolver √ļlceras nos p√©s e 85% das amputa√ß√Ķes de membros inferiores ocorre em pacientes com diabetes.

Cuidados com o pé diabético

Pessoas com pés diabéticos devem ter os seguintes cuidados:

  • Fazer higiene di√°ria dos p√©s e sec√°-los sempre com cuidado.
  • Cortar as unhas em linha reta.
  • Usar sapatos macios, meias claras e sem costuras (nunca apertadas).
  • Examinar os p√©s para identificar precocemente mudan√ßas de cor, incha√ßo, dor, rachaduras e sensibilidade na pele.
  • Controlar os n√≠veis de a√ß√ļcar no sangue ajuda a prevenir e a tratar as √ļlceras nos p√©s.
  • Procure um profissional de sa√ļde caso perceba “dorm√™ncia” ou ferida nos p√©s.

Pele e calos

Uma altera√ß√£o comum √© a pele dos p√©s, que pode ficar muito seca e favorecer o aparecimento de feridas (rachaduras). Isso acontece porque os nervos que controlam a produ√ß√£o de √≥leo e umidade est√£o danificados.¬†√Č importante massagear os p√©s com um bom creme ap√≥s o banho e sempre que sentir a pele desidratada. Evite passar creme entre os dedos, porque a umidade extra favorece a prolifera√ß√£o de micro-organismos e infec√ß√Ķes.

As √ļlceras ocorrem mais frequentemente na planta do p√© ou embaixo do ded√£o. Quando aparecem nas laterais, geralmente √© o sapato que est√° inadequado. O tratamento pode ser feito com a limpeza e o uso de prote√ß√Ķes especiais para os p√©s, mas pode exigir tamb√©m a a√ß√£o de um cirurgi√£o vascular, caso a circula√ß√£o esteja muito ruim.

Em pessoas com diabetes, os calos aparecem com mais frequ√™ncia, porque h√° √°reas de alta press√£o nessa parte do corpo, que aguenta o peso o dia inteiro.¬†Calos n√£o-tratados podem transformar-se em √ļlceras (feridas abertas). Por isso, uma dica super importante: n√£o corte os calos voc√™ mesmo, nem use agentes qu√≠micos, que podem queimar a pele. Tamb√©m n√£o deixe que a pedicure ‚Äėd√™ um jeitinho‚Äô. A avalia√ß√£o m√©dica e a indica√ß√£o de um bom pod√≥logo √© a postura mais indicada.

Sabe-se que o diabetes pode prejudicar a circula√ß√£o, mas esse problema se agrava ainda mais com o uso de cigarro, press√£o alta e desequil√≠brio nos n√≠veis de colesterol. E a m√° circula√ß√£o, por sua vez, prejudica o combate √†s infec√ß√Ķes e atrapalha a recupera√ß√£o das √ļlceras nos p√©s.¬†Algumas feridas n√£o doem, mas devem ser avaliadas imediatamente. Desprez√°-las pode abrir as portas para infec√ß√Ķes ‚Äď e elas podem levar at√© √† perda de um membro.

Problemas nos olhos

Se voc√™ gerencia bem a taxa de glicemia, √© bem prov√°vel que apresente problemas oculares de menor gravidade ou nem apresente. Isso porque quem tem diabetes est√° mais sujeito √† cegueira, se n√£o trat√°-la corretamente. Fazendo exames regularmente e entendendo como funcionam os olhos, fica mais f√°cil manter essas complica√ß√Ķes sob controle.¬†Uma parte da retina √© especializada em diferenciar detalhes finos. Essa pequena √°rea √© chamada m√°cula, que √© irrigada por vasos sangu√≠neos para garantir seu funcionamento. Essas estruturas podem ser alvo de algumas complica√ß√Ķes da diabetes.

Glaucoma

Pessoas com diabetes t√™m 40% mais chance de desenvolver glaucoma, que √© a press√£o elevada nos olhos. Quando mais tempo convivendo com a doen√ßa, maior o risco. Na maioria dos casos, a press√£o faz com que o sistema de drenagem do humor aquoso se torne mais lento, causando o ac√ļmulo na c√Ęmara anterior. Isso comprime os vasos sangu√≠neos que transportam sangue para a retina e o nervo √≥ptico e pode causar a perda gradual da vis√£o. H√° v√°rios tratamentos para o glaucoma ‚Äď de medicamentos √† cirurgia.

Catarata

Pessoas com diabetes têm 60% mais chance de desenvolver a catarata, que acontece quando a lente clara do olho, o cristalino, fica opaca, bloqueando a luz. Quem tem diabetes costuma desenvolver a catarata mais cedo e a doença progride mais rápido. Para ajudar a lidar com graus leves de catarata, é necessário usar óculos de sol e lentes
de controle de brilho nos óculos comuns. Quando a opacidade atrapalha muito a visão, geralmente é realizada uma cirurgia que remove as lentes e implanta novas estruturas. Entretanto, é preciso ter consciência de que, em pessoas com diabetes, a remoção das lentes pode favorecer o desenvolvimento de glaucoma (complicação anterior) e de retinopatia (próxima complicação).

Retinopatia

Retinopatia diabética é um termo genérico que designa todas os problemas de retina causados pelo diabetes.

H√° dois tipos mais comuns:

  • o n√£o-proliferativo;
  • o proliferativo.

O tipo n√£o-proliferativo √© o mais comum. Os capilares (pequenos vasos sangu√≠neos) na parte de tr√°s do olho incham e formam bolsas. H√° tr√™s est√°gios – leve, moderado e grave ‚Äď na medida em que mais vasos sangu√≠neos ficam bloqueados. Em alguns casos, as paredes dos capilares podem perder o controle sobre a passagem de subst√Ęncias entre o sangue e a retina e o fluido pode vazar dentro da m√°cula. Isso √© o que chamamos de edema macular ‚Äď a vis√£o emba√ßa e pode ser totalmente perdida. Geralmente, a retinopatia n√£o-proliferativa n√£o exige tratamento espec√≠fico, mas o edema macular sim. Frequentemente o tratamento permite a recupera√ß√£o da vis√£o. Depois de alguns anos, a retinopatia pode progredir para um tipo mais s√©rio, o proliferativo. Os vasos sangu√≠neos ficam totalmente obstru√≠dos e n√£o levam mais oxig√™nio √† retina. Parte dela pode at√© morrer e novos vasos come√ßam a crescer para tentar resolver o problema. Esses novos vasinhos s√£o fr√°geis e podem vazar, causando hemorragia v√≠trea. Os novos capilares podem causar tamb√©m uma esp√©cie de cicatriz, distorcendo a retina e provocando seu descolamento, ou ainda, glaucoma. Os fatores de risco da retinopatia s√£o o controle da glicose no sangue, o controle da press√£o, o tempo de conviv√™ncia com o diabetes e a influ√™ncia gen√©tica. A retinopatia n√£o-proliferativa √© muito comum, principalmente entre as pessoas com diabetes Tipo 1, mas pode afetar aqueles com Tipo 2 tamb√©m. Cerca de uma em cada quatro pessoas com diabetes tem o problema em algum momento da vida. J√° a retinopatia proliferativa √© pouco comum ‚Äď afeta cerca de uma em cada 20 pessoas com diabetes. Quem mant√©m bom controle da glicemia t√™m chance muito menor de desenvolver qualquer retinopatia.¬†Nem sempre a retinopatia apresenta sintomas. A retina pode estar seriamente danificada antes que o paciente perceba uma altera√ß√£o na vis√£o. Por isso, √© necess√°rio consultar um oftalmologista anualmente ou a cada dois anos, mesmo que esteja se sentindo bem.

Pele mais sensível

Muitas vezes, a pele d√° os primeiros sinais de que voc√™ pode estar com diabetes. Ao mesmo tempo, as complica√ß√Ķes associadas podem ser facilmente prevenidas.¬†Quem tem diabetes tem mais chance de ter pele seca, coceira e infec√ß√Ķes por fungos e/ou bact√©rias, uma vez que a hiperglicemia favorece a desidrata√ß√£o ‚Äď a glicose em excesso rouba √°gua do corpo. Por outro lado, se j√° havia algum problema dermatol√≥gico anterior, pode ser que o diabetes ajude a piorar o quadro. As altas taxas glic√™micas prejudicam tamb√©m os pequenos vasos sangu√≠neos respons√°veis pelo transporte de nutrientes para a pele e os √≥rg√£os. A pele seca fica suscet√≠vel a rachaduras, que evoluem para feridas. Diab√©ticos t√™m a cicatriza√ß√£o dificultada (em raz√£o da vasculariza√ß√£o deficiente). Trata-se, portanto, de um c√≠rculo vicioso, cuja consequ√™ncia mais severa √© a amputa√ß√£o do membro afetado.¬†Al√©m de cuidar da dieta e dos exerc√≠cios, portanto, a recomenda√ß√£o √© cuidar bem da pele tamb√©m. Quando controlada, o diabetes pode n√£o apresentar qualquer manifesta√ß√£o cut√Ęnea.

Sa√ļde Mental

Ao receber o diagn√≥stico de diabetes, muitas pessoas apresentam v√°rias rea√ß√Ķes emocionais, como choque, nega√ß√£o, medo, raiva, tristeza e ansiedade. Isso √© absolutamente normal. O mental e o emocional podem ser afetados com o diagn√≥stico de alguma doen√ßa cr√īnica, como o diabetes.

Negação

Geralmente a primeira rea√ß√£o diante do diagn√≥stico de uma doen√ßa cr√īnica, como o diabetes, √© de choque, seguido de descren√ßa.¬†√Č comum negarmos a realidade que nos amea√ßa. Agimos como se a doen√ßa n√£o existisse ou minimizamos a sua gravidade, adiando as provid√™ncias e os cuidados necess√°rios.

A nega√ß√£o diante do diagn√≥stico pode fazer com que a pessoa se recuse a tomar as primeiras medidas para gerenciar a doen√ßa. Reconhecer que o diabetes ter√° um papel importante na sua vida √© um passo¬†fundamental para aceitar essa condi√ß√£o e viver de forma saud√°vel com ela.¬†O medo em rela√ß√£o ao que ‚Äėvai acontecer‚Äô geralmente est√° associado com a falta de informa√ß√£o. Essa sensa√ß√£o geralmente diminui com o tempo, na medida em que a pessoa aprende mais sobre o diabetes, compreende que muita coisa pode ser feita para evitar as complica√ß√Ķes e passa a exercer mais controle sobre sua sa√ļde.

Tristeza

‚ÄúMinha vida mudou para sempre, nada ser√° como antes‚ÄĚ. Uma frase como essa pode indicar um des√Ęnimo. A boa not√≠cia √© que por mais dif√≠cil que pare√ßa, isso pode ser superado. Conversar com outras pessoas que t√™m diabetes pode aliviar essa sensa√ß√£o. A equipe multidisciplinar de sa√ļde envolvida no tratamento, sua fam√≠lia e seus amigos tamb√©m s√£o bons parceiros nessa situa√ß√£o. Sentir-se triste, √†s vezes, √© normal. Entretanto, √© preciso observar se a tristeza se tornou constante na sua vida. A¬†depress√£o¬†√© duas vezes mais comum entre as pessoas com diabetes. Se voc√™ tem experimentado dificuldade para dormir, est√° sempre cansado, evita tomar decis√Ķes e sente-se sem esperan√ßa ou desamparado, converse com a sua fam√≠lia e seu m√©dico. H√° tratamento com rem√©dios e com psicoterapia com √≥timos resultados.

Raiva

Eventos que n√£o queremos, que n√£o esper√°vamos e que n√£o merecemos geram raiva. √Č natural a pessoa sentir raiva quando recebe o diagn√≥stico de diabetes. O problema da raiva est√° no exagero e na const√Ęncia da revolta que pode assumir a forma de hostilidade. Uma das raz√Ķes que fazem com que o diabetes seja um terreno f√©rtil para a raiva √© que a doen√ßa pode fazer com que voc√™ se sinta amea√ßado, cercado de perigos ‚Äď rea√ß√Ķes aos medicamentos, complica√ß√Ķes
‚Äď e isso faz com que voc√™ odeie o diabetes. E, se voc√™ odeia, n√£o quer nem saber daquele assunto, certo? Errado. √Č poss√≠vel aprender a usar essa raiva no controle do diabetes.

Identifique o que est√° causando a raiva e como isso est√° afetando a sua vida, mantendo um registro.¬†Todas as noites, revise o dia e os momentos em que ficou com raiva. Pense o que voc√™ fez a respeito e anote.¬†Depois de algumas semanas, revise essas anota√ß√Ķes e procure padr√Ķes ‚Äď s√£o as situa√ß√Ķes sociais que incomodam? O uso de medicamentos?

Mude os pensamentos e atitudes que alimentam a raiva. Se você estiver se sentindo tenso, falando mais alto ou mais rápido, acalme-se. Aprenda a relaxar. Fale mais devagar, respire mais devagar, beba um gole de água, sente-se, fique um pouco em silêncio. O sentimento de raiva não vai embora, mas você o controla.

Faça com que a raiva trabalhe para você. O diário pode ajudar nisso. Com o que não estou conseguindo lidar? Quanto mais você compreender sua raiva, mais ela poderá ser um fator de crescimento e mudança no sentido de cuidar de você mesmo.

Depress√£o

A depressão ocorre duas vezes mais em portadores de diabetes do que na população em geral. Ocorre em aproximadamente 20% dos portadores de diabetes tanto no tipo 1 quanto no tipo 2, sendo a taxa de depressão maior nas mulheres. A causa da depressão em portadores de diabetes ainda é desconhecida. Provavelmente é o resultado da interação entre fatores psicológicos, físicos e genéticos. A contribuição de cada um desses fatores para a depressão varia de paciente para paciente.

As restri√ß√Ķes alimentares, o tratamento, as hospitaliza√ß√Ķes e o aumento nas despesas podem ser estressantes para o portador de diabetes. Lidar com as complica√ß√Ķes quando o diabetes est√° mal controlado tamb√©m pode contribuir pra a depress√£o. Altera√ß√Ķes f√≠sicas associadas ao diabetes (neuroqu√≠micas e neurovasculares) tamb√©m podem ser fatores causais. Fatores gen√©ticos n√£o relacionados ao diabetes podem causar depress√£o em portadores de diabetes.¬†Qualquer que seja a causa, a depress√£o pode afetar negativamente o controle do diabetes.

A depress√£o est√° associada ao pobre controle glic√™mico que √© a maior causa das complica√ß√Ķes do diabetes.¬†Abra-se com seu m√©dico e outros membros da equipe multidisciplinar. Psicoterapia, medica√ß√£o e uma combina√ß√£o das duas coisas, dependendo do caso, t√™m apresentado excelentes resultados para o bem-estar e tamb√©m para o controle da glicemia. Antidepressivos s√£o bem tolerados e seguros para pessoas com diabetes, desde que ingeridos nos hor√°rios e doses recomendados.

√Č importante lembrar, no entanto, que cada pessoa responde de uma forma ao tratamento; e recuperar-se de uma depress√£o pode levar tempo. As doses dos medicamentos ‚Äď que n√£o t√™m efeito imediato ‚Äď e¬†o n√ļmero de sess√Ķes de psicoterapia podem precisar de ajustes. √Č importante que o psicoterapeuta converse com o m√©dico que trata o seu diabetes.

Ansiedade

Muitas pessoas com diabetes apresentam dist√ļrbios de ansiedade. A m√° interpreta√ß√£o de alguns sintomas de hipoglicemia como sendo ansiedade pode prejudicar a r√°pida corre√ß√£o exigida pelas baixas taxas de glicemia.

Uma ansiedade em rela√ß√£o a inje√ß√Ķes e a vis√£o de sangue tamb√©m pode complicar a vida de quem precisa tomar diariamente insulina e fazer v√°rias mensura√ß√Ķes de glicemia por dia.

O medo de hipoglicemia, uma fonte comum de ansiedade em pessoas com diabetes, pode fazer com que os pacientes mantenham suas taxas glicêmicas acima dos alvos. Pais de crianças com diabetes também costumam apresentar um extremo medo de hipoglicemia.

A ang√ļstia do diabetes

N√£o √© ‚Äės√≥‚Äô stress, n√£o √© ‚Äės√≥‚Äô preocupa√ß√£o, n√£o √© ‚Äės√≥‚Äô ansiedade. N√£o √© depress√£o. Checar as taxas de glicemia, tomar a medica√ß√£o, injetar insulina, contar carboidratos, atingir as metas na academia ou na corrida, aprender a cozinhar refei√ß√Ķes mais saud√°veis: uma lista extensa, que pode parecer sufocante, esmagadora. Essa sensa√ß√£o ganhou, recentemente, um nome: ang√ļstia do diabetes. Os m√©dicos¬†ainda est√£o tentando definir melhor essa complica√ß√£o, mas j√° sabem de uma coisa: ela pode arrastar-se por meses e anos, drenando sua energia. Logo, precisa de aten√ß√£o.

A ang√ļstia do diabetes pode reunir sinais de depress√£o, ansiedade e stress, tornando-a dif√≠cil de distinguir.¬†Essas emo√ß√Ķes podem estar relacionadas, por exemplo, ao medo de n√£o conseguir tratamento adequado, ao fato de se sentir doente e √† sensa√ß√£o de que as outras pessoas n√£o compreendem o diabetes.¬†E a ang√ļstia do diabetes prejudica justamente o n√≠vel de glicose no sangue. As altas taxas de glicose favorecem mais ang√ļstia. Se voc√™ acredita que ‚Äúnada funciona‚ÄĚ e os ‚Äúrem√©dios n√£o funcionam‚ÄĚ, √©¬†bem prov√°vel que se sinta inclinado a n√£o tomar mais a medica√ß√£o. E come√ßa mais um c√≠rculo vicioso do diabetes.

Sa√ļde Sexual

Os problemas sexuais s√£o muito comuns, mas muitas vezes somos influenciados por uma imagem exagerada vendida pela m√≠dia. Hoje, j√° h√° uma s√©rie de solu√ß√Ķes para v√°rios desses problemas, mas √©¬†preciso haver um di√°logo franco com o m√©dico. A sa√ļde sexual tamb√©m est√° diretamente relacionada √†s complica√ß√Ķes do diabetes.

Disfunção erétil

A disfun√ß√£o er√©til (DE) √© definida como incapacidade persistente de obter ou manter uma ere√ß√£o satisfat√≥ria para a atividade sexual. Apesar de ser muito comum entre a maioria dos homens em algum momento da vida, a disfun√ß√£o atinge com uma frequ√™ncia maior as pessoas com diabetes ‚Äď e pode manifestar-se 5 a 10 anos mais cedo. Mesmo assim, a DE pode ser bem controlada em quase todos os homens portadores da doen√ßa.

Problemas de ejaculação

Dist√ļrbios na ejacula√ß√£o s√£o um problema sexual comum em homens com diabetes, atingindo de 32 a 67% dessa popula√ß√£o. Homens com diabetes que enfrentam essa quest√£o e t√™m alguma preocupa√ß√£o com a¬†fertilidade devem buscar orienta√ß√£o com os profissionais de sa√ļde capacitados.

Por que acontece e o que fazer?

O diabetes sem controle causa danos às paredes dos vasos sanguíneos, que afetam a circulação e o fluxo de sangue para o pênis. Além disso, danos aos nervos podem prejudicar o processo. Em alguns casos, a DE pode ser um efeito colateral de medicamentos utilizados no tratamento do diabetes.

O primeiro passo para chegar a um diagn√≥stico √© contar ao seu m√©dico, que far√° algumas perguntas e exames para identificar a causa. Existem v√°rios tratamento efetivos para a DE, e √© importante que¬†os c√īnjuges participem das discuss√Ķes sobre as op√ß√Ķes de tratamento.

Essas op√ß√Ķes incluem medicamentos orais, que aumentam o fluxo sangu√≠neo para o p√™nis. Eles podem ser usados de forma segura na maioria dos homens com diabetes, mas n√£o s√£o indicados para homens com¬†algumas condi√ß√Ķes card√≠acas espec√≠ficas. √Č importante ter orienta√ß√£o e acompanhamento m√©dico para uso seguro e bem indicados dessas medica√ß√Ķes.

H√° ainda possibilidades como inje√ß√Ķes, reposi√ß√£o hormonal, equipamentos mec√Ęnicos, implantes e cirurgias, j√° bem consolidadas na medicina e com bons resultados. Uma parte essencial do tratamento¬†consiste, sempre, em gerenciar a glicemia, a press√£o e o colesterol, al√©m de abandonar o cigarro e fazer exerc√≠cios regularmente. A sa√ļde sexual √© um sinal da sua sa√ļde geral.

ATEN√á√ÉO:¬†O autodiagn√≥stico e o autotratamento, com base nas informa√ß√Ķes que voc√™ l√™ ou recebe de amigos, pode at√© prolongar ou piorar o problema. O ideal √© conversar com seu m√©dico ou mesmo com outro membro¬†da equipe multidisciplinar de sa√ļde envolvida no tratamento, com quem voc√™ se sinta mais √† vontade, para que haja uma orienta√ß√£o qualificada e segura.

E as mulheres?

A disfun√ß√£o sexual do diabetes tamb√©m pode afetar as mulheres. Altas taxas de glicose, les√Ķes nos nervos, depress√£o e propens√£o a infec√ß√Ķes genitais s√£o alguns dos¬†fatores que podem afetar a vida sexual da mulher com diabetes.

Fique atenta aos sinais:

  • Falta de interesse em sexo.
  • Secura vaginal.
  • Desconforto durante a rela√ß√£o sexual.
  • Dificuldade maior em chegar ao orgasmo.

A melhor forma de prevenção e tratamento é conversar com seu médico, para entender as causas e identificar as melhores medidas. A solução pode ser bem simples, como o uso de um lubrificante, ou demandar um acompanhamento maior. Mas não fique adiando a conversa com o especialista. Nem a sua felicidade.

Dia Mundial do Diabetes

Uma alimenta√ß√£o adequada com baixo teor de a√ß√ļcar e a ingest√£o de alimentos n√£o processados podem diminuir muito as chances de pr√©-diab√©ticos desenvolverem a doen√ßa, sem a necessidade de medica√ß√£o. Evitar o consumo de alimentos utlraprocessados, que possuem altas concentra√ß√Ķes de a√ß√ļcar, gordura e s√≥dio √© uma das recomenda√ß√Ķes do Minist√©rio da Sa√ļde que constam no Guia Alimentar para a Popula√ß√£o Brasileira e podem contribuir tamb√©m para a preven√ß√£o da doen√ßa. Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes estimam que 40 milh√Ķes de brasileiros sejam pr√©-diab√©ticos, ou seja, possuem o n√≠vel elevado de glicemia de jejum, variando entre 100 e 125 mg/dl; e que 25% deste total pode desenvolver o diabetes tipo 2. As dicas s√£o como alerta para o dia mundial do diabetes, comemorado anualmente em 14 de novembro, e serve de alerta ao consumo alimentar dos brasileiros.

Fonte: Minist√©rio da Sa√ļde