COLUNASDICAS DE PORTUGUÊS 

“Aquele meu amigo fala tão bem, parece até personagem de livro”. “Aquela diretora fala tão bem que, se você não prestar atenção, não consegue nem entender as palavras de tão difíceis”. “Meu vizinho fala tão bem, lembra muito meu avô com as expressões do seu tempo”. Muitos conceitos mudaram ao longo da história e este foi um dos principais deles – o de falar bem. 

Já significou falar como poucos entendem. Significou comunicar-se apenas com membros da elite intelectual ou até mesmo expressar-se como os mais velhos. No entanto, com o advento da modernidade e necessidade de uma comunicação cada vez mais rápida e clara, deparamo-nos hoje com um novo conceito de “falar bem”: fazer-se compreendido e aceito por meio da linguagem.

Blogers, youtubers e apresentadores de televisão são apenas alguns dos exemplos de figuras populares cujas palavras são admiradas e seguidas, mas cujo domínio aparente da forma padrão da língua se afasta e muito dos manuais de gramática. Isso acontece por duas grandes razões bem simples. A primeira delas é que “norma padrão” e “manuais de gramática” são importantes (sim!), mas não para serem formas únicas em qualquer contexto. A segunda é que hoje, para afirmarmos que uma pessoa fala realmente bem, precisamos levar em consideração o contexto em que ela está envolvida. Um elogiado palestrante sobre economia internacional pode ser considerado, entre seus amigos, um péssimo contador de piadas, por exemplo. Isso porque nem sempre conseguimos ter o mesmo sucesso no desempenho linguístico em todos os cenários da vida. 

O docente universitário acostumado a dar aulas para grupos de alunos nos últimos anos da graduação, ao tentar explicar determinados conteúdos no Ensino Médio, pode não receber os mesmos elogios de bom professor, se não for capaz de ajustar sua forma de expressar-se à nova demanda. Prever, adaptar, ajustar. Esse é o grande desafio do mundo moderno em relação à linguagem. 

No ambiente de trabalho, o funcionário que não aprende a se comunicar com seus pares ou com os que estão hierarquicamente abaixo de si demonstra-se já incapaz de se tornar um bom líder. Já o comunicativo, que fala com todos, mas não sabe se dirigir aos chefes atrai a desconfiança por não demonstrar garantias de que compreenderá o problema e saberá cumprir ordens. 

A linguagem é também perigosa, porque costuma moldar o que somos. Tenho uma amiga próxima que é excelente mãe, excelente professora e seu tom injuntivo (de ordem, comando, orientação) fortalece essa personalidade. Porém, como usa o mesmo tom didático para lidar com a maioria das pessoas, muitos a evitam por considerá-la, chata, pedante, arrogante. No ambiente acadêmico, insistir no humor o tempo todo, diante de uma apresentação, pode ajudar com o nervosismo, mas também pode transparecer falta de conteúdo. 

Parece difícil, mas não é. Então, quais as dicas para falar bem no mundo moderno? Conhecer o ambiente em que você se expressa. Estar certo do conteúdo que pretende expor. Tentar adaptar sua fala à sua audiência em vez de esperar que a audiência se esforce para compreendê-lo. Calma! É claro que isso não quer dizer que você deva gritar palavrões toda vez que for assistir a um jogo de futebol só para ajustar-se ao meio. Não. Mas preocupar-se em não levar a linguagem de arquibancada para o ambiente de trabalho, ainda que seu chefe exagerado o faça, é algo que você deve evitar. 

Daí vem a última dica. Toda vez que você tiver de escolher entre adaptar sua linguagem ao ambiente profissional ou às pessoas. Adapte-se ao ambiente. Não se deixe levar pelo informalismo dos outros, sobretudo dos chefes. As pessoas que não percebem inadequação em sua própria linguagem são, muitas vezes, as que mais reparam na linguagem do outro. E o outro, para o chefe, é você!

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