A carga tributária é o principal entrave para a evolução de pequenos e médios negócios no Brasil. A avaliação de empreendedores dos setores de comércio, indústria e serviços consta de levantamento realizado pelo Centro de Estudos em Negócios do Insper, com apoio do Santander.
Os impostos foram citados como o maior empecilho para o avanço de negócios na opinião de 47,7% dos empresários. Taxa de juros apareceu em segundo lugar, com 20,6%. Em seguida, ficaram inadimplência (14,9%), encargos trabalhistas (14,2%) e taxa de câmbio (2,6%).
|
COMÉRCIO |
INDÚSTRIA |
SERVIÇOS |
TOTAL GERAL |
|
|
Carga tributária |
46,3% |
48,4% |
49,9% |
47,7% |
|
Encargos trabalhistas |
15,2% |
9,9% |
14,9% |
14,2% |
|
Taxa de juros |
21,1% |
22,5% |
18,6% |
20,6% |
|
Taxa de câmbio |
3,2% |
2,3% |
1,6% |
2,6% |
|
Inadimplência |
14,2% |
16,9% |
15,1% |
14,9% |
“O problema fiscal se apresenta nas suas duas dimensões para os empresários de pequenas e médias empresas. Por um lado, acreditam que a aprovação da Previdência terá impacto positivo no seu negócio. E, por outro lado, apontam a carga tributária como o maior empecilho de natureza macroeconômica para a evolução do seu negócioâ€, afirma Gino Olivares, professor do Insper e pesquisador responsável pelo Ãndice de Confiança dos Pequenos e Médios Negócios (IC-PMN). Para ele, “ambas dimensões apontam para a conveniência de resolver os problemas estruturais das finanças públicas brasileiras.â€
“Adicionalmente, os entrevistados se mostram ainda muito reticentes a considerar oportunidades de negócio no exterior. As respostas apontam a conveniência de oferecer mais informação e suporte à s empresas sobre a alternativa de encarar o mercado internacionalâ€, acrescenta Olivares. “Por último, mas não menos importante, os empresários entrevistados mostraram expectativa de um faturamento no quarto trimestre superior ao do ano passado.â€
Reforma da Previdência
Para 26,6% dos empreendedores entrevistados semanas antes da aprovação do texto no Congresso, o projeto terá pouco impacto nos negócios. Outros 17,6% consideraram que resultará em muito impacto e, na opinião de 19,9%, não haverá nenhum. A reforma foi vista como irrelevante por 13,9% deles. Não souberam responder ou não opinaram 22% deles.
Faturamento
Em relação ao faturamento, mais da metade mostrou esperar crescimento neste último trimestre em comparação ao mesmo perÃodo do ano passado. Uma fatia de 41,2% tem a expectativa de ligeiro aumento e outra, de 16%, de forte aumento. Para 22%, o resultado será igual. Já 15,3% trabalham com a possibilidade de uma ligeira queda e outros 5,5%, de uma forte queda.
Investimentos no exterior
Em relação ao cenário externo, apesar de conflitos comerciais entre paÃses, 25,4% avaliaram como viável investir em oportunidades fora do Brasil. Em outra direção, 19,7% trataram o movimento como inviável, por ser muito arriscado. A maioria, no entanto, nunca parou para analisar o tema (55%).
Os dados foram obtidos por meio de entrevistas telefônicas com 1.287 pequenos e médios empresários, de 16 a 20 de setembro deste ano. A margem de erro é de 3% para mais ou para menos, com um nÃvel de confiança de 95%.
Fonte: Agência Brasil