PUBLICIDADE

2.0 - REGIÃO

Artistas dão vida à história da primeira cidade do Brasil

Com os pés na areia e um sorriso no rosto, Lenilde Santos, 70, aguarda o momento de entrar em cena na 38º Encenação da Fundação da Vila de São Vicente. A senhora, vestida com roupas típicas portuguesas, da vida a uma personagem da corte “É a primeira vez que participo da Encenação. Todo o esforço vale a penaâ€, ressalta.

Lenilde, assim como muitos outros atores do grande elenco, mora em outra cidade, porém, a distância se torna pequena perto de sua força de vontade. “A chuva, cansaço e as duas conduções necessárias pra chegar aqui não são nada perto da emoção que é fazer parte desse evento. Sempre vi na televisão e finalmente tomei coragem de me inscrever e participar. Não me arrependo de forma alguma e vou me inscrever de novoâ€, afirma.

Para o ator Yuri Diniz, 23, que interpreta o Padre Gonçalves Monteiro, o espetáculo representa uma certeza e é uma forma de preservar a história. “É a primeira vez que integro esse elenco. Fazer parte de uma organização desse tamanho e com essa representatividade das nossas raízes não tem preço. Essa energia me faz ter certeza sobre a escolha da minha profissãoâ€.

O carreteiro Armando Oliveira, 59, também integra a equipe pela primeira vez e comenta sobre o peso histórico do tradicional evento “É uma forma de manter nossa trajetória viva. Na arena encontramos pessoas de todas as idades, é bom saber que os jovens se interessam pela nossa história e tradição. Um povo que honra seu passado é uma nação com futuroâ€.

Já para os mais experientes no palco de areia, a mostra é um marco e motivo de alegria. “São 21 anos participando da Encenação, a gente supera a dor nas costas, o frio, a chuva e veste o figurino. É uma experiência que vale todo o esforçoâ€, comenta Aparecida Fonseca, 83 e anciã da Encenação.

Assim como a Dona Aparecida, 71 atores na melhor idade integram o elenco de apoio da exibição, e claro, a disposição dessa turma faz inveja aos mais novos. “A gente tem que se manter firme, se movimentando e continuar amando o que faz. Eu participo da Encenação, de um grupo de dança de rua e daqui a pouco começa o teatro da Paixão de Cristo. Eu faço questão de participar disso tudoâ€, enfatiza a octogenária.

História – A tradicional mostra que fomenta o turismo local começou de forma tímida, porém, com a força do povo se constituiu. “No início era tudo muito amador, mas a nossa vontade de fazer dar certo fez a diferença. Antigamente usávamos óleo de cozinha misturado com carvão, para dar cor a maquiagem dos índios por exemplo. Não tinha uma megaestrutura, mas sempre teve a força e a vontade de fazer acontecer da população. Isso sim faz a diferençaâ€, lembra Rodrigo Caeser, 39, ator na encenação desde 1994 e referência como artista da comunidade.

Mundial – O espetáculo, que marca o mês de janeiro da Cidade de São Vicente, impressiona também quem mora do outro lado do mundo. Esse foi o caso de duas japonesas, que se hospedam no Município a trabalho. “Adorei, foi muito dinâmico. Tem muita cultura em Tóquio, mas nada parecido. É a primeira vez que vemos o patriotismo do povo brasileiro. Foi lindoâ€.

A mostra que encanta e perpetua a história do berço do Brasil, segue em exibição até o aniversário de São Vicente, dia 22 de janeiro. A megaprodução com ingressos esgotados reúne cinco mil pessoas diariamente nas arquibancadas.

Fotos: Mais Santos