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Região / Economia

‘Blackfraude’: especialista faz alerta para ninguém cair em golpes

Da Revista Mais Santos

Com a continuidade da epidemia do Covid-19 e do distanciamento social, a Black Friday deste ano deve ser majoritariamente digital. O fechamento do comércio e a insegurança em relação a frequentar lojas e locais fechados trouxe uma mudança radical no comportamento do consumidor brasileiro e internacional. A pandemia também incentivou as empresas a aumentarem o período de descontos, com promoções desde o início do mês.

A intenção, segundo analistas, é a de dar tempo ao consumidor e criar novas possibilidades de vendas, já que de acordo com pesquisa da ABComm, a estimativa da Black Friday este ano é apresentar um crescimento de 77% das vendas em relação a 2019, atingindo a marca de R$ 6,9 bilhões, apenas entre o período de 18 a 30 de novembro.

O crescimento das vendas online, entretanto, também trouxe um número elevado de golpes em esquemas de e-commerce, o que dificulta a vida do consumidor que ainda não está habituado a fazer muitas aquisições fora de lojas físicas. Pensando nisso, o advogado e especialista em Direito do Consumidor, Marco Antonio Araujo Jr. reuniu dicas para evitar golpes online:

Sites falsos
O consumidor recebe uma promoção atrativa de um produto ou serviço, com preço incrível, geralmente de uma marca conhecida, que deve ser acessada a partir de um link encaminhado por e-mail, SMS ou mensagem de aplicativo. Quando clica no link, é remetido para uma página falsa, com mesmo formato da página original da empresa que tem a marca conhecida (logo, produtos e layout idênticos). A página falsa – chamada “página espelhada” – vai recolher os dados do consumidor (nome, cpf, dados do cartão), pode receber os valores do pagamento, mas não vai realizar a entrega.

O consumidor paga, não recebe e além disso está sujeito a ter seus dados utilizados em operações fraudulentas. Como se prevenir? Nunca acesse links enviados por e-mails, SMS ou aplicativos de mensagens. Se decidir comprar, digite o endereço da empresa e acesse você mesmo o site.

Senhas de cartão
O consumidor vai realizar uma compra pela internet e em dado momento da operação é solicitada a senha do cartão de débito, do cartão de crédito ou até mesmo a senha de acesso ao internet banking. Nunca digite sua senha pessoal de cartões ou acesso a internet banking; ela só serve para utilização em compras nas maquininhas, no caixa eletrônico ou no caixa do banco. Essa senha é pessoal. Não repasse a terceiros.

Boleto falso
O consumidor realiza uma compra pela internet em site fraudulento ou inseguro, acreditando estar comprando no site original, e opta por realizar o pagamento por meio de boleto bancário. O boleto bancário encaminha o pagamento para outra conta, que não a da empresa na qual o consumidor acredita estar comprando.

Como o pagamento foi para um fraudador, a empresa não irá encaminhar o produto e o consumidor ficará no prejuízo. Como fazer? O pagamento em boleto bancário só pode ser realizado se for encaminhado pela empresa na qual a compra foi realizada. Confira no boleto se no campo “cedente” está o nome da empresa na qual você realizou a compra. Se não estiver, entre em contato com a empresa por telefone (procure o telefone na internet) e peça para confirmar se aquele boleto é válido.

Site ou app inseguros
Na hora de comprar pela internet, o consumidor tem que se precaver o máximo que puder. Muitas vezes o site do fornecedor não tem segurança das informações digitadas e permite que programas espiões possam capturar os dados do consumidor e utilizá-los em novas compras. Assim, verifique se o site tem a indicação de um cadeado fechado. Geralmente fica na parte inferior. Esse sinal indica que as informações digitadas são criptografadas e que o risco de fraude é muito menor.

Veja também se quando digitar o endereço da empresa no browser da internet (espaço onde digitamos o www.site.com.br) aparece que a conexão é segura ou não segura. Se for segura, a chance de fraude também é menor.

Verifique o preço
Geralmente os anúncios indicam somente o preço do produto, sem informar qual seria o preço do frete. Mas na hora de encerrar a compra e fechar o carrinho, o consumidor é surpreendido com um valor altíssimo de frete, às vezes até maior que o valor do produto, tornando a compra inviável.

Portanto, antes de fechar a compra, consulte qual o valor do frete. Os sites de e-commerce e os aplicativos de compra devem ter a possibilidade de consulta do valor de frete antes da realização da compra. Não adianta ter uma boa promoção do produto se o frete está absurdo.

Prazo de entrega
As empresas, no intuito de realizar a venda, costumam prometer para o consumidor um prazo de entrega aceitável, que faz com que o consumidor feche a compra. Contudo, muitas vezes a empresa não tem o produto em estoque ou não tem condições logísticas de realizar a entrega no prazo combinado. Como se prevenir? Geralmente, o prazo de entrega está informado no site ou no aplicativo. Na hora de comprar, tire um “print” ou imprima a página para conseguir comprovar o prazo de entrega prometido.

Se o prazo não for cumprido, o consumidor poderá desistir da compra ou exigir o cumprimento obrigatório da obrigação, sem prejuízo de buscar no Judiciário uma indenização por danos materiais e, em alguns casos, até por danos morais.

Preços diferentes
As empresas que atuam de má-fé costumam se aproveitar do momento de impulso do consumidor para realizar fraudes (em 2019 houve recorde de reclamações). O produto tem um preço na hora do anúncio e quando vai para o carrinho tem um preço maior.

Nesse caso, o consumidor tem que se atentar ao anúncio e ao momento do fechamento da compra e caso constante diferença, não realizar a compra. Se já comprou, tem direito de exigir que o preço do anúncio seja o preço a ser aplicado e que a diferença paga seja devolvida. A devolução deverá ser pelo mesmo meio que foi feito o pagamento, salvo se o consumidor aceitar que seja por meio diferente.

Pagamento por depósito ou transferência bancária
Esse é um meio incomum para o pagamento de compras realizadas pela internet em grandes empresas ou sites. As empresas costumam preferir pagamento por cartão de crédito ou cartão de débito. Portanto, se realizar a compra de um produto em um site e só tiver a opção de depósito bancário ou transferência bancária, fique atento. Pode ser a indicação de perigo a vista. De qualquer forma, confira se a empresa existe (consulte o CNPJ da empresa no site receita.fazenda.gov.br) e se o depósito ou a transferência estão sendo realizadas para a empresa ou site. Caso seja em nome de alguma pessoa física, a chance de ser um golpe é muito alta.

E um último alerta: caso seja vítima de golpe na Black Friday, registre uma reclamação no site do Procon, faça uma ocorrência policial e se precisar entrar com uma ação por meio de um advogado de confiança.

Foto: Reprodução