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Santos / Cotidiano

Anália Franco, uma senhora instituição de Santos

Por Ted Sartori
Da Revista Mais Santos

Prestes a completar 100 anos, em 28 de junho, o Educandário Anália Franco, na Vila Mathias, faz parte da vida de muitos santistas. Ao longo do tempo, milhares de crianças e jovens passaram pela instituição. Em um dado momento histórico, segundo registros, mais de 400 jovens foram atendidos simultaneamente. O número total de crianças e jovens acolhidos no orfanato e na escola é muito difícil de mensurar, mas certamente encontra-se na casa dos milhares.

“Atualmente, o trabalho desenvolvido é na área educacional, sendo ofertada educação em período integral a 296 crianças, de 4 meses até 5 anos e 11 meses, nos níveis de berçário, maternal, jardim e pré-escola. Além do aporte pedagógico, são oferecidas três refeições diárias”, detalha Paulo Affonso Galati Murat Filho, presidente do Educandário Anália Franco.

Em paralelo a isso, há o trabalho de acolhimento institucional, que é o abrigo. É voltado a 12 jovens em atenção ao encaminhamento por intermédio da Vara de Infância e da Adolescência. São crianças e adolescentes em risco social, que sofreram qualquer tipo de abuso, violência ou abandono, e que são afastadas momentaneamente de suas famílias ou em processo de adoção permanente.

“O abrigo assemelha-se a uma casa comum, com todo conforto e equipamentos. Os jovens ali abrigados recebem atenção integral, sendo monitorados por equipe de 14 cuidadores, psicóloga e assistente social, além de equipe administrativa. O endereço é mantido em sigilo prudencial, evitando a estigmatização”, explica Murat.

No vermelho

As dificuldades, claro, existem. Os gastos mensais do Educandário Anália Franco são aproximadamente de R$ 350 mil. Parte desses custos – na ordem de 50% – é suportada por um Termo de Fomento junto à Secretaria Municipal de Educação, e um Termo de Parceria, junto à Secretaria de Ação Social.

“A entidade sempre lutou para manter suas finanças em equilíbrio, o que sempre é extremamente difícil. Nos últimos anos, a situação tem se agravado, em razão da pandemia e, mais atualmente, em razão da crise inflacionária do País, com os recursos mais escassos. A situação é preocupante e muito provavelmente fecharemos o ano no vermelho”, projeta o presidente.

O Educandário Anália Franco possui 85 funcionários em folha de pagamento, sendo que parte deles absorvidos pelos termos de parceria e fomento. Os demais são remunerados com recursos distribuídos em parte por esta mesma condição e em outra, com as arrecadações.

Recursos

Para arrecadar a outra metade necessária à sobrevivência da instituição, são utilizadas algumas estratégias: o serviço de Telemarketing, que aceita doações de pessoas físicas e jurídicas; o Bazar da Pechincha, que vende roupas, utensílios domésticos, móveis e eletrônicos usados em boas condições e por preço acessível, funcionando de segunda a sexta em horário comercial, a Lavanderia Doméstica, na Rua Barão de Paranapiacaba, 244, também abrindo nos mesmos dias e período, além do aluguel do campo de futebol society e churrasqueira.

“Com os recursos escasseando, estamos retomando alguns eventos. No ano passado, realizamos uma Feijoada Drive-Thru – devido às restrições da pandemia -, com uma arrecadação considerável para a época, e organizamos recentemente a I Noite de Massas com excelente resultado. Pretendemos retomar com o calendário de eventos e atividades que, de alguma forma, acabam ajudando a instituição”, afirma Murat.

Para o segundo semestre, o Educandário Anália Franco avalia a realização do Porco no Rolete e também planeja a realização mensal de uma Feijoada com Pagode, a Feijuca da D. Anália. São projetos que a entidade pretende desenvolver e colocar em prática tão logo as comemorações pelo centenário se concluam. “Estamos dedicando todos os nossos esforços a esse evento, que será objetivamente uma forma de homenagear todos os atuais colaboradores, bem como todos os irmãos da Loja Fraternidade de Santos, que iniciaram e mantiveram esse trabalho até hoje, e celebrar esse jubileu”, conta o presidente.

Há outras formas de se ajudar o Educandário Anália Franco. A mais simples é contribuir por intermédio do PIX (a chave é 58225905000140, que é o CNPJ da instituição). São aceitos quaisquer valores, para os quais também são fornecidos recibos. Também são aceitas doações para o Bazar da Pechincha, que podem ser entregues na sede da entidade (Avenida Ana Costa, 277) ou por agendamento para retirada no domicílio do interessado.

Passado e futuro

Embora esteja prestes a completar 100 anos, a história do Educandário Anália Franco, na realidade, antecede 1922. Em 1907, a educadora D. Lourdes Ortiz, após sua formação em São Paulo no Liceu Feminino, resolve fundar em Santos uma instituição voltada ao atendimento de meninas, sob inspiração de D. Anália Franco. De 1907 a 1917, ela mantém essa condição até o momento em que ela passa a ter dificuldades econômicas e recebe o apoio da Loja Maçônica Fraternidade de Santos, que depois assume a condução dos trabalhos. Nessa época a escola funcionava na Rua João Pessoa, no Centro da Cidade.

Posteriormente, em 1922, são lançadas as bases do atual Educandário Anália Franco, com o nome de Associação Creche e Asylo Analia Franco, na Avenida Ana Costa, 285, esquina com a Rua Barão de Paranapiacaba, sendo o prédio concluído em 1926. No ano seguinte (1927), passa a ser ocupado pela Escola Estadual Dino Bueno e, depois, pela Unidade Municipal de Educação Dino Bueno, em razão da municipalização do Ensino Fundamental, e ali funcionou até 2010. Ao longo do tempo, o acolhimento e o atendimento educacional tornou-se misto, por imposições e normas pedagógicas.

A construção do prédio ao lado aconteceu em 1946. Ele funcionava como orfanato e também recebia crianças com famílias que não pudessem mantê-las ou, eventualmente, mães que trabalhavam em casas de família e deixavam seus filhos no Anália Franco. Nesse prédio do 277 da Avenida Ana Costa ainda foram implantadas oficinas de carpintaria, marcenaria, cabeleireiro, barbeiro, sapataria e tipografia. Era um posto de qualificação que tinha como intenção dar aos internados uma profissão para quando deixassem a instituição, aos 18 anos.

O futuro do Educandário Anália Franco, no entanto, é tão rico de iniciativas quanto o passado da instituição é de história. Os dois aspectos se encontram em muitos momentos, praticamente em uma relação de dependência.

“A atual diretoria está imbuída com um espírito de elaborar novos projetos para o antigo imóvel do 285 da Avenida Ana Costa, que se situa numa área envoltória de tombamento. Importante explicar que, embora não seja um imóvel tombado, o nível de proteção 2 incide sobre ele e exige que tenhamos cuidados com muro, fachada, telhado e volumetria do imóvel. E isso demanda altos custos”, explica Murat.

A ideia é lançar uma vaquinha virtual para captar recursos a serem utilizados na revitalização do chamado Castelinho. Para se ter noção do tamanho do desafio, a manutenção necessária somente no telhado está na ordem de R$ 450 mil para recuperar e restaurar as condições anteriores.

“Como sonhar não é proibido, queremos transformar esse prédio em um centro cultural, um equipamento que volte a servir à sociedade santista. Isso não apenas marcaria definitivamente a presença do Educandário Anália Franco como também acabaria com o ar de abandono em que ele se encontra, tornando-o vivo como antes foi, para que possa abrigar exposições, uma biblioteca, salas multiuso e uma cafeteria, com ar de modernidade e acessibilidade que hoje ele não tem”, revela o presidente.

Foto: Divulgação