Da Redação
Biodiversidade marinha, poluição dos mares e preservação dos oceanos. Esses são alguns dos focos de estudo da tripulação do veleiro-laboratório Tara, da fundação francesa Tara Océan, que chegará a Santos nesta sexta-feira (12). A embarcação vem do Rio de Janeiro e segue viagem pelo Oceano Atlântico em uma expedição que vai durar dois anos, atravessando cerca de 70 mil quilômetros – o roteiro inclui ainda os mares da Antártica e o litoral africano.
Para celebrar a chegada do veleiro-laboratório, o prefeito Rogério Santos assina, na sexta-feira, à s 18h, a Lei da Cultura Oceânica. No sábado (13), os equipamentos cientÃficos da embarcação serão trazidos para um evento na Praça do Aquário Municipal, onde ficarão em exposição das 9h à s 13h. No local, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam) programou atividades de conscientização sobre o meio ambiente marinho e brincadeiras com crianças.
Ainda no evento, a Secretaria Municipal de Educação (Seduc) levará o projeto “Santos à luz da leitura”, com material relacionado aos oceanos, preparado pelos alunos da rede municipal, além de livros e brinquedos relacionados ao tema. Às 9h30, no Auditório do Aquário Municipal, haverá uma discussão sobre sustentabilidade do oceano com especialistas brasileiros e estrangeiros.
O Tara mede 36 metros, conta com três tipos de laboratório e tem capacidade para realizar cinco coletas diferentes em alto-mar. A embarcação ficará fundeada em frente ao Deck do Pescador, na Ponta da Praia.
MISSÃO MICROBIOMA
Esta expedição recebeu o nome de Missão Microbioma porque a tripulação quer entender como as mudanças climáticas e os vários tipos de poluição, como dos microplásticos, estão afetando as correntes oceânicas e a vida dos micro-organismos marinhos como bactérias e vÃrus. Este microbioma é a base da cadeia alimentar do oceano e responde por metade do oxigênio que respiramos no planeta.
A Tara Océan Foundation se ocupa, desde 2010, de entender e descrever o fluxo de resÃduos plásticos despejados no mar. Para cumprir essa missão, o veleiro-laboratório está percorrendo grandes rios ao longo da costa do Oceano Atlântico.
PRESO NO ÃRTICO
A embarcação coleciona algumas histórias curiosas. Chegou a ficar presa por mais de um ano no gelo do Ãrtico para que os pesquisadores pudessem estudar a movimentação da calota polar.
Antes de ser incorporado à fundação francesa, o Tara foi palco de uma cena que rendeu páginas policiais no Brasil. Durante uma exposição ecológica pelos rios da Amazônia, em 2001, o veleiro, que se chamava Sea Master, foi invadido por bandidos, durante a passagem pelo litoral do Amapá. O resultado foi a morte do dono da embarcação, o velejador neozelandês Peter Blake, conhecido até fora da Nova Zelândia por participar de competições de vela. Ele havia tentado reagir ao assalto e morreu na embarcação.
Foto: Divulgação
