Uma disputa judicial opõe cotistas do fundo de investimento em participações do Porto Sudeste aos acionistas do empreendimento, a trading holandesa Trafigura e o fundo Mubadala, de Abu Dhabi. No dia 9, uma liminar favorável a um grupo de cotistas suspendeu as assembleias marcadas para os dias 10 e 30 de setembro. A pauta da primeira assembleia de cotistas incluÃa 44 alterações no regulamento do fundo – entre elas, modificações que permitiriam investimentos em ativos sem nenhuma relação com o Porto Sudeste, segundo alegam os autores da ação judicial.
Com patrimônio lÃquido de R$ 286,3 milhões, o Porto Sudeste Royalties Fundo de Investimento em Participações em Infraestrutura foi constituÃdo em 2014, conforme informações disponÃveis no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Naquele ano, Trafigura e Mubadala concluÃram a aquisição do controle do porto.
Concebido por Eike Batista, o terminal, situado em Itaguaà (RJ), pertencia à mineradora MMX, do empresário. Foram alocados no fundo tÃtulos de remuneração variável (PORT11) baseados em royalties provenientes da operação do Porto Sudeste. Os tÃtulos substituÃram papéis emitidos originalmente pela MMX com os mesmos termos e condições.
O objetivo da troca era de que os compradores de tÃtulos ficassem expostos aos riscos do empreendimento logÃstico e não da mineradora MMX, que acabou por pedir recuperação judicial. “O único ativo do fundo continua sendo os tÃtulos. A mecânica de remuneração dos papéis é a mesma: um valor fixo em dólar por tonelada trafegada no portoâ€, explica uma fonte que acompanha o processo mas pediu para não ter seu nome revelado.
Em petição inicial protocolada junto à Justiça, os advogados dos cotistas afirmam que Mubadala e Trafigura, além de serem acionistas controladores, detêm “aproximadamente 90% das cotas emitidas pelo fundoâ€. Essa posição caracterizaria – no entendimento dos advogados – um conflito de interesses.
“Os cotistas majoritários, respaldados pela [administradora] BRL, pretendem transformar o fundo em um fundo de investimento em participações comum como qualquer outro, podendo investir e desinvestir de companhias e ativos que nada têm a ver com o terminal portuário e os papéis PORT11â€, argumentam os advogados na petição inicial.
Os cotistas minoritários alegam ainda que – como não há caixa suficiente no fundo para realizar novos investimentos – seria necessário vender os tÃtulos PORT11 ou realizar um aumento de capital. A capitalização terminaria por diluir os minoritários, sustentam eles.
Os mesmos cotistas que entraram na Justiça contra Mubadala e Trafigura apresentaram reclamação à CVM, reguladora do mercado de capitais no paÃs. Entre as modificações no regulamento do fundo que seriam votadas em assembleia de cotistas estava também a mudança na definição de conflito de interesses que consta do documento, conta a fonte que acompanha o desenrolar do processo.
Na decisão, de 9 de setembro, o juiz Luiz Alberto Carvalho Alves, da 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, suspende as assembleias gerais de cotistas “até que seja apurada a existência de conflito de interesse por parte dos cotistas majoritários pelo tribunal arbitral competenteâ€. O magistrado cita os termos do edital de convocação das assembleias de 10 e 30 de setembro para lembrar que “os cotistas ficam impedidos de votar nas matérias relacionadas ao objeto do conflito de interesses.â€
Mubadala e Trafigura informaram que não comentariam processos judiciais em andamento.
Fonte: Portos e Navios
Foto: Divulgação Porto Sudeste