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Os benefícios e malefícios da sesta

Por Paulo Angelo Lorandi

Dormir após às refeições é um hábito muito presente em alguns países há gerações. A ciência tem estudado essa condição e tem encontrado alguns dados interessantes. A sesta é mais comum em países tropicais, onde a temperatura nas primeiras horas da tarde costuma ser mais quente. Nesse sentido, os trabalhadores se resguardavam do sol para poder trabalhar com mais vigor em horário mais adequado. Questiona-se, portanto, se no mundo de hoje, com muitos condicionadores de ar instalados, essa prática é saudável.

Um estudo mexicano, onde a prática está presente, e que a sesta se faz por, pelo menos, duas horas, constatou que quanto mais horas de sono à tarde, menos se dorme à noite. Nessa condição o nível de obesidade infanto-juvenil era maior, principalmente pelo fato de o sedentarismo estar incorporado em suas vidas. Também, ficar acordado à noite altera a condição hormonal dos jovens, estimulando o apetite por alimentos não saudáveis.

Um estudo americano investigou se a prática do cochilo alteraria as decisões de jovens adultos em um questionário padronizado que apresentam situações em que é necessário decidir entre o risco e o benefício financeiro. O resultado foi que os jovens cautelosos se mantiveram nessa condição, assim como os mais audaciosos continuavam audaciosos.

Mas a sesta também pode trazer benefícios em situações específicas, como a dos atletas, por exemplo. Algumas pesquisas desenvolvidas com jogadores de futebol mostraram melhoria na performance, mas não na dos praticantes de tiro ao alvo. Do mesmo modo, que os trabalhadores noturnos que realizam pequenos intervalos de sono durante o período do trabalho, melhoraram sua condição pessoal, desenvolvendo-o com mais eficiência.

Mas se o hábito do cochilo após o almoço estiver incorporado, retirá-lo faz com a condição piore no resto do dia. Os sujeitos da pesquisa aumentaram o tempo de reação das respostas em testes de alerta. Mas alguns cuidados precisam ser tomados com os cochilos, pois eles não podem comprometer o sono noturno. Isso foi constatado em estudo envolvendo idosos que fazem cochilos diurnos e que não tem vida física ativa. O sono noturno é mais importante, por ser mais reparador do que o cochilo. Assim, entre dormir e cochilar, obviamente é melhor dormir melhor à noite. E como os estudos já mostraram, dormir mal aumenta o risco de várias doenças, como a obesidade e hipertensão.

Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM), do curso de Farmácia da Unisantos, está disponível para solucionar suas dúvidas. O contato pode ser pelo e-mail cim@unisantos.br
Prof. Dr Paulo Angelo Lorandi, farmacêutico pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas-USP (1981), especialista em Homeopatia pelo IHFL (1983) e em Saúde Coletiva pela Unisantos (1997), mestre (1997) e doutor (2002) em Educação (Currículo) pela PUCSP. Professor titular da UniSantos. Sócio proprietário da Farmácia Homeopática Dracena.


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Foto: Pixabay

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