Da Redação
Um raio caiu neste domingo (2) na Praia da Aparecida, em Santo. As imagens impressionantes do fenômeno foram registradas e, na reprodução em câmera lenta, é possível ver com clareza a trajetória formada. Ninguém foi atingido, mas todo cuidado é necessário. Ainda mais nesta época do ano, como observa o climatologista Rodolfo Bonafim.
“Estatisticamente, janeiro é o mês com maior incidência de raios aqui na Região. O começo do mês é uma fase crítica. Santos é uma das cidades que tem a maior incidência na Baixada, ao lado de Bertioga e de Cubatão. Mas não é algo regular. No Interior de São Paulo e na Capital, o fenômeno é mais distribuído ao longo do ano. Aqui é mais focado em algumas épocas, especialmente no final da primavera e no verão. Mas, mesmo no verão, os raios não são muito constantes”, explica Bonafim.
O climatologista mostra muita preocupação com a falta de conscientização por parte das pessoas com relação aos acidentes envolvendo raios. O próprio Rodolfo Bonafim tem visto mostras disso pelo comportamento nas praias da Baixada Santista.
“Muitas vezes há um negacionismo em torno disso. Pelas câmeras, tenho flagrado o povo debaixo de chuva e de trovoadas nas praias de, especialmente Praia Grande e Guarujá, que recebem as maiores cargas de turistas e que estão completamente cheias. Acho que estavam esperando a tempestade passar. O sol até apareceu depois da trovoada, mas até esse momento podem aparecer outras coisas”, afirma.
Falando em chuvas, Bonafim lembra que o volume de chuvas ficou até um pouquinho abaixo da média para dezembro. O cenário, porém, não é de sossego. “Na verdade, choveu muito, mas só agora no finalzinho do mês. Infelizmente, com as mudanças climáticas e o La Niña também atuando, as chuvas vêm de uma forma irregular. Ou seja, às vezes demora para chover e, quando vem, vem de uma vez. E é aí que mora o perigo: inundação, perigo de raio e tudo o mais”.
Voltando aos raios, trovoadas fracas e céu azul não são indícios de que o cenário é menos perigoso, segundo o climatologista.
“Não vá nessa porque o fenômeno raio é muito aleatório. Mesmo com uma trovoada esparsa e que não é muito forte, às vezes uma descarga espúria pode aparecer do nada e a pessoa não estar prevenida”, afirma. “Eu testemunhei no ano passado uma nuvem que se formou em cima do Morro Santa Terezinha, em Santos. O resto do céu estava limpo e azul. E o que saiu de raio daquela nuvem foi algo incrível. Ou seja, o céu pode estar azul, mas se tem nuvem muito escura com raios em uma direção, cuidado”, emenda.
Diante de tanta imprevisibilidade, Rodolfo Bonafim ratifica que há necessidade de muitos cuidados, especialmente quando se está em áreas abertas.
Quando a pessoa está na praia, em uma quadra esportiva aberta ou em um campo de futebol, vale a mesma recomendação: fique atento. Mesmo uma nuvem branca pode ser perigosa porque essas nuvens que formam trovoadas começam brancas. São nuvens que parecem flocos de algodão, geralmente na direção da Serra, mas a base dela geralmente é escura. E ela, às vezes, se aproxima com uma velocidade tão rápida que, quando você se deu conta, está debaixo dela. Aí você não vê mais ela branca e, sim, toda preta em cima de você. O céu fica todo escuro justamente porque ela andou e a base dela ficou em cima de você. Aí pode ser tarde demais para fugir da praia ou de qualquer outro lugar semelhante”, explica o climatologista.
Confira o vídeo do momento em que o raio cai no Instagram @maissantos
Foto: Reprodução Redes Sociais