PUBLICIDADE

Brasil / Cotidiano

Andinos, poesia e solidariedade no inverno

Por Silvia Barreto
Da Revista Mais Santos

A partir de 21 de junho iniciamos o inverno, com a previsão de queda das temperaturas. O outono, considerado o período de transição entre as estações, tem registrado o frio intenso e com termômetros que nos “obrigam” a investir nos agasalhos.

O Conselho Nacional de Direitos Humanos chegou a recomendar que os órgãos públicos tomem medidas urgentes para pessoas em situação de rua por conta da onda de frio intenso, pois são os mais prejudicados nesse período do ano.

Diante desse cenário há pessoas com ações que fazem a diferença. Desde o início da pandemia, a jornalista cultural, tradutora e cronista Karen Monteiro faz gorros andinos por intermédio da produção de peças de crochê. Ela utiliza lã de descarte e produz as peças inspiradas na cultura dos indígenas mapuches e na força de luta pela união latino-americana. Além disso, outra produção são as bolsinhas para homenagear a abelha Pedra-Raiz, personagem dos escritos da jornalista, que morreu depois de tentar voar para a colmeia, mas se perdeu em meio a tanto agrotóxico.

A cada cinco peças vendidas, uma é doada para os carrinheiros que recolhem o lixo reciclável em Curitiba. Não há um cadastro para realizar a entrega: tudo acontece de acordo com a necessidade e a localização dessas pessoas. “Saio na rua, procuro um carrinheiro e doo”, explica.

Esse tipo de gorro começou a ser usado por soldados e marinheiros a partir dos séculos seguintes. Uma peça semelhante também era usada pelos aymarás, povo andino da região entre Peru, Bolívia e Chile, muito antes da invasão espanhola do século 16, e é conhecida até hoje como “chulo”.

O nome CAIXOLÁ LÁ LINHA veio como conseqüência dos blogs que a jornalista mantém: CAIXA CAIXOTE CAIXÃO, inspirado em arte visual e PARA DE GRITAR ISSO SEU IRRESPONSÁVEL, inspirado em música que não toca nas rádios. No instagram, Karen apresenta Tempo, modelo CAIXOLÁ LÁ LI- NHA, criado pela artista Tadica Veiga. Tempo veste os andinos. Os posts do instagram têm frases que passeiam pela escrita poética. Nos blogs, textos maiores, contam histórias tecidas também pela lã, linha e palavra.

Vendo a mãe crochetar meias para uma casa de idosos, lembrou-se de quando aprendeu crochê com a tia na adolescência. Uma amiga tinha muita lã sem uso em casa, sobras de trabalhos artesanais para as netas e enviou para a jornalista.

“Minha amiga me deu a ideia de doar uma parte da produção. Sempre me comoveu muito ver o trabalho dos carrinheiros do lixo reciclável. O peso do material, o frio, a caminhada, o baixo valor que recebem. Decidi que eu doaria uma parte da produção para eles”, conta Karen.

Sua mãe também produz peças. Karen conta que ela voltará a fazer meias. “Está fazendo o pedido de lãs. Mas, ela não faz com restinhos de lã”.

Interessados podem adquirir uma peça CAIXOLÁ LÁ LINHA escolhendo pelo instagram @caixolalalinha2022 ou fazer os pedidos através do instagram ou no whatsapp 41 995418735. Os andinos e bolsinhas da abelha Pedra-Raiz são enviadas para qual- quer cidade, mediante pagamento da taxa dos Correios.

Pelas redes sociais acessem:

karenmonteirocom.wixsite.com/caixacai- xotecaixao/posts/categories/caixola-la-
-la-linha

karenmonteirocom.wixsite.com/karen-
-monteiro/para-de-gritar-isso

Foto: Divulgação