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Brasil / Política

CPI: Renan deve apresentar relatório na segunda quinzena de setembro

Da Agência Brasil

Na reta final dos trabalhos, o relator da Comiss√£o Parlamentar de Inqu√©rito (CPI) da Pandemia do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), disse nesta quinta-feira (19) que pretende apresentar o parecer sobre as investiga√ß√Ķes do colegiado na segunda quinzena de setembro.

O senador descartou a possibilidade de pedir que o inqu√©rito continue em outras institui√ß√Ķes investigativas ap√≥s o t√©rmino dos trabalhos da CPI. Segundo o relator, seu parecer ser√° conclusivo.

Diante de questionamentos do senador governista Marcos Rog√©rio (DEM- RO), Renan adiantou como pretende conduzir o texto. ‚ÄúO meu relat√≥rio n√£o vai mandar para procuradoria investigar nada. Ele vai concluir a partir das investiga√ß√Ķes realizadas aqui e pedindo para que, no prazo que a lei das comiss√Ķes parlamentares de inqu√©rito reserva, a Procuradoria-Geral da Rep√ļblica mande processar, e n√£o investigar novamente. N√£o √© esse o meu estilo, o meu prop√≥sito‚ÄĚ, destacou Calheiros.

O senador alagoano acrescentou ainda que, no parecer, vai responsabilizar por crime comum os integrantes de um suposto gabinete paralelo, que teria aconselhado o governo federal na tomada de decis√Ķes durante a pandemia. ‚ÄúPretendo, como relator, posso n√£o aprovar nesta CPI, responsabilizar por crime comum todos os membros do gabinete paralelo, pela maldade que fizeram contra o Brasil ao prescrever rem√©dios ineficazes, ao estabelecer prioridades para gasto or√ßament√°rio, para execu√ß√£o de gasto p√ļblico criminosamente‚ÄĚ, completou.

O parlamentar rebateu acusa√ß√Ķes de Marcos Rog√©rio de que estaria antecipando trechos do relat√≥rio final √† imprensa. Renan garantiu que nem o parecer nem um esbo√ßo do documento est√£o prontos. Segundo ele, a √ļnica informa√ß√£o que deu √† imprensa sobre o parecer √© o prazo previsto para entrega.

Requerimentos

Ainda na primeira parte da reuni√£o de hoje, a CPI aprovou 187 requerimentos, propostos por Renan Calheiros, 120 deles de quebra dos sigilos fiscais. Na lista, est√£o o l√≠der do governo na C√Ęmara, Ricardo Barros (PP-PR), e o advogado Frederick Wassef, que j√° defendeu o presidente da Rep√ļblica e outros membros da fam√≠lia Bolsonaro. Ao justificar os pedidos, Renan disse que Wassef e Barros ‚ÄĚpossuem registros de passagens de recursos e/ou relacionamentos comerciais com origem ou destino na empresa Precisa ‚ÄĒ Comercializa√ß√£o de Medicamentos LTDA., seus s√≥cios, familiares destes e outros investigados por esta CPI‚ÄĚ.

Junto com o pedido de quebra do sigilo fiscal de Barros e Wassef, o relator deu prazo de 48 horas para que Receita Federal envie √† comiss√£o a rela√ß√£o de empresas de que o deputado e o advogado participam ou tenham participado nos √ļltimos cinco anos.

Outro grupo que entrou na lista de quebra de sigilo fiscal e financeiro é o de responsáveis por sites investigados por divulgação de notícias falsas durante a pandemia. A solicitação é que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) transfira dados sobre pessoas ligadas por sites como Instituto Força Brasil, Renova Mídia, Terça Livre, Jornal da Cidade Online, Conexão Política, Crítica Nacional, Senso Incomum, além de uma série de perfis em redes sociais.

Tamb√©m foram aprovados pelo colegiado requerimentos para a convoca√ß√£o dos diretores do FIB Bank Garantias. A institui√ß√£o despertou interesse da CPI a partir do depoimento de ontem do advogado da Precisa Medicamentos, T√ļlio Silveira. Como intermediadora do contrato para aquisi√ß√£o da vacina indiana Covaxin com o Minist√©rio da Sa√ļde, a Precisa usou o banco para oferecer uma ‚Äúcarta de fian√ßa‚ÄĚ √† pasta. A ideia da CPI √© ouvir os diretores da institui√ß√£o, Roberto Pereira Ramos J√ļnior e Luiz Henrique Louren√ßo Formiga, para esclarecer poss√≠veis irregularidades no processo.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado